As mudanças recentes no futebol brasileiro podem pressionar as finanças dos clubes, segundo Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do esporte. Entre as medidas estão a proibição das bets, hoje apontadas como as principais financiadoras da modalidade no país, e a redução do limite de jogadores estrangeiros nos elencos: o número poderá chegar a no máximo cinco em 2030, contra nove atualmente.
Em participação no Bate-Bola, Assayag avaliou que os efeitos financeiros do fim das casas de apostas não devem ficar restritos aos contratos firmados diretamente com os clubes. A mudança também pode atingir outros integrantes da cadeia do futebol, como detentores de direitos e premiações.
O especialista ainda citou a possibilidade de queda no valor de novos patrocínios, diante da quantidade de clubes que buscariam parceiros ao mesmo tempo. Para ele, as equipes não conseguem reduzir imediatamente os custos assumidos com seus elencos.
“Da noite para o dia ele não tem mais a receita, mas ele tá preso ao custo”, disse Assayag.
Investimento nas categorias de base
Simpatizante da limitação de estrangeiros, o especialista afirmou que a medida pode estimular os clubes a investirem mais nas categorias de base, objetivo da CBF com a decisão. Ele, porém, defendeu ações adicionais, como a reativação e o incentivo ao campeonato sub-23 e o retorno do campeonato de aspirantes.
Assayag também sugeriu incentivos para ampliar a utilização de jogadores formados pelos próprios clubes, incluindo apoio financeiro em alguma medida.



