SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo suspendeu, em decisão liminar, o contrato de patrocínio do Corinthians com a Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto administrada pela Fatal Model. A medida foi tomada pela Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), após ação civil pública apresentada pelo Ministério Público de São Paulo.
A decisão impede a exposição, a divulgação e a promoção da marca em uniformes, espaços esportivos, canais digitais e outras áreas ligadas ao clube. O Corinthians também deverá remover links para a plataforma publicados em seus canais e adotar mecanismos de verificação de idade para limitar o acesso de crianças e adolescentes ao conteúdo do site.
O prazo determinado para retirar ou cobrir a marca é de 15 dias. O processo tramita em segredo de justiça. A liminar considerou o risco à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes diante do alcance da publicidade ao público infantojuvenil.
Contrato e impacto financeiro
O acordo entre Corinthians e Fatal Fans foi assinado em junho e tem validade até 2027. O contrato renderia R$ 22 milhões ao clube. A marca aparece no calção das equipes masculinas, mas não nos uniformes do futebol feminino. No time das mulheres, a empresa estampava a campanha “Respeita as Mina”.
O vínculo prevê ainda uma renovação por mais 12 meses, que elevaria o valor total para R$ 31 milhões. A parceria também tinha como objetivo financiar modalidades como futebol feminino e basquete. O Corinthians possui uma dívida de R$ 2,8 bilhões.
O clube informou que ainda não foi notificado da decisão e, por isso, não se manifestaria naquele momento.
Após a assinatura da MP das bets, a Fatal Model apresentou uma proposta de R$ 120 milhões anuais para ocupar o espaço máster do uniforme corintiano. A oferta também enfrenta a possibilidade de a medida provisória não avançar no Congresso.
A diretoria ainda não definiu quais medidas serão tomadas em relação à Esportes da Sorte após o veto às bets. O congelamento do contrato até uma definição do Congresso Nacional está entre as possibilidades. Os parlamentares têm até 120 dias para deliberar sobre o tema.



