A paralisação do Hospital Estadual da Mãe, em São Gonçalo, tornou-se alvo de uma denúncia de Daniel Soranz contra Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio. A unidade foi planejada para atender a saúde da mulher no Leste Fluminense, mas permanece sem conclusão há mais de uma década, após consumir mais de R$ 10 milhões em recursos estaduais.
Em entrevista, Soranz afirmou que Ruas não teria concluído a obra no município administrado pelo pai, o prefeito Capitão Nelson. “Um hospital que está com uma obra parada há mais de 13 anos”, disse o médico, que foi secretário municipal de Saúde do Rio e é candidato a deputado federal.
Obra parada e recursos públicos
O hospital fica no bairro do Colubandê, ao lado da UPA. O projeto, idealizado em 2013, previa mais de 10 mil consultas e 800 partos por mês, além de centro cirúrgico e UTI neonatal. O orçamento inicial era de R$ 37 milhões.
Levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) aponta que mais de R$ 10 milhões já foram pagos sem que a unidade fosse entregue. O levantamento também registra cerca de R$ 488 mil em multas e juros por atraso e aproximadamente R$ 357 mil em um serviço de demolição.
A estrutura inacabada tem três andares e, conforme a descrição apresentada, está tomada pelo mato. O local também teria focos de mosquitos da dengue e seria usado como abrigo por usuários de drogas e refúgio por criminosos.
Contratos e investigações
Douglas Ruas comandou a Secretaria de Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026, durante a gestão de Cláudio Castro. Ele afirma ter executado R$ 2 bilhões em obras em 73 municípios por meio do programa Governo Presente nas Cidades.
A Controladoria-Geral do Estado identificou possíveis irregularidades na secretaria. Entre elas está um aditivo de 45,4% em um contrato de pavimentação de R$ 99,6 milhões, firmado 17 dias antes, elevando o valor para R$ 144,9 milhões. O consórcio liderado pela FP Vieira Engenharia teve três contratos que somaram R$ 449,8 milhões no período.
O Ministério Público do Rio abriu investigação preliminar sobre a Saur Construções e a DM Invest. Douglas Ruas e o irmão, o vereador Nelsinho, são sócios da Saur. Também há um inquérito civil, aberto em 2023, para apurar suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Ruas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo.
A assessoria de Ruas afirma que as empresas citadas não têm vínculo ou contrato com órgãos públicos. Os procedimentos estão em andamento e não representam condenação.
Disputa eleitoral
O deputado estadual Professor Josemar protocolou uma ação no CAO Saúde para pedir investigação sobre a paralisação do hospital e o uso de recursos públicos. Soranz associou o caso à candidatura de Ruas, que preside a Alerj e tenta se apresentar como gestor de obras.
Pesquisa Datafolha de agosto citada no levantamento aponta Eduardo Paes com 41% das intenções de voto, contra 19% de Douglas Ruas. O mesmo levantamento indica que 71% dos eleitores ainda não conhecem o candidato do PL.




