A negociação tributária do Corinthians com a União continua válida mesmo após o atraso de quatro parcelas. A diretoria conseguiu ampliar o prazo para quitar os valores pendentes com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), evitando, por enquanto, a rescisão do acordo.
O débito em aberto reúne as prestações de junho, julho, agosto e setembro. No sistema da PGFN, cada parcela chega a R$ 2.001.982,48 na parte correspondente aos débitos não previdenciários, enquanto as prestações dessa outra categoria alcançam R$ 4.829.616,18. Somados os quatro pagamentos, o valor devido à União está em aproximadamente R$ 27,3 milhões, sem os encargos.
A solicitação do clube foi relacionada às negociações com a Caixa Econômica Federal sobre a dívida do refinanciamento da Neo Química Arena. Em setembro, o Corinthians apresentou uma proposta para que o banco assuma os naming rights do estádio em troca do perdão do débito, estimado em R$ 630 milhões. As partes também concordaram em suspender temporariamente as parcelas trimestrais da Arena, o que evitou um desembolso de cerca de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões referente à prestação de setembro.
O que está em jogo
O acordo com a PGFN estabelece que o não pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas pode provocar a rescisão. Se isso ocorresse, a dívida original voltaria a ser cobrada integralmente, com abatimento apenas do que já tivesse sido pago. Também seriam retomadas as cobranças judiciais e extrajudiciais, e o Corinthians ficaria impedido de fazer uma nova transação com a instituição durante dois anos.
A transação reduziu em 46,6% uma dívida que somava R$ 1,2 bilhão. O compromisso prevê o pagamento de R$ 679 milhões em quatro frentes: 60 parcelas para débitos previdenciários, 120 para débitos não previdenciários, 60 parcelas com desconto de 30% para o FGTS e quitação à vista dos créditos de contribuição social, com desconto de 70%.
Entre as garantias oferecidas estão valores que o clube tem a receber com a Timemania e o Parque São Jorge, avaliado em R$ 602,2 milhões no acordo. O débito incluía R$ 1 bilhão em valores não previdenciários, R$ 200 milhões em débitos previdenciários e R$ 15 milhões referentes ao FGTS.
Questionamentos sobre as contas
A renegociação também foi alvo de questionamentos na aprovação das contas de 2025. Embora tenha sido assinada em 2026, a operação teve seus efeitos registrados no ano anterior. O Conselho de Orientação (Cori) apresentou ressalvas ao relatório da Parker Russell, responsável pela auditoria independente das demonstrações financeiras.
A operação ainda motivou um pedido de impeachment contra Osmar Stabile. Os autores alegaram que o Parque São Jorge foi oferecido como garantia em abril sem o cumprimento das exigências do estatuto interno, que prevê quórum mínimo e maioria qualificada dos conselheiros.




