Rubens Gomes, o Rubão, conselheiro vitalício e ex-diretor de futebol do Corinthians, confirmou que participa das negociações entre o clube e a Caixa Econômica Federal para tratar da dívida da Neo Química Arena. Ele afirmou que uma força-tarefa reúne pessoas envolvidas na tentativa de encontrar uma solução para o débito.
Em entrevista ao jornalista Márcio Bernardes, Rubão disse que mantém relação com o Partido dos Trabalhadores (PT), mas negou que sua atuação tenha finalidade eleitoral. Segundo ele, há tratativas em andamento e a expectativa é de que novidades sejam apresentadas em breve.
Dívida com a Caixa
No início de setembro, o Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento administrativo para verificar quanto o Corinthians ainda precisa pagar pelo financiamento do estádio. A apuração considerou um estudo do perito Anísio Costa Castelo Branco, que apontou possíveis inconsistências nos cálculos, especialmente na aplicação de multas e encargos financeiros.
O financiamento original, estipulado em cerca de R$ 400 milhões no início de 2013, não foi totalmente amortizado. De acordo com Rubão, os pagamentos realizados durante o período de carência cobriram juros e outras obrigações, enquanto a redução do valor principal só começou no final da gestão passada.
Na última segunda-feira, o Corinthians formalizou uma proposta à Caixa Econômica Federal. A operação prevê o uso dos naming rights da Neo Química Arena como parte da solução para o débito, atualmente estimado em R$ 630 milhões. Representantes do clube e do banco já participaram de reuniões, e as conversas continuam.
Rubão também afirmou que o presidente Lula se sensibilizou com a situação e pediu uma revisão dos termos da negociação. O conselheiro disse ainda que as partes já haviam conversado sobre um possível acordo durante o governo anterior, mas que a tentativa não avançou.
O ex-diretor explicou que evita divulgar os nomes dos demais interlocutores envolvidos. Segundo ele, o cuidado busca preservar a estrutura jurídica e institucional das tratativas em um ano eleitoral e político, além de impedir que disputas externas prejudiquem o processo.
Críticas à SAFiel
Rubão também se posicionou contra a proposta da SAFiel, projeto que pretende transformar o Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol. Na avaliação dele, a iniciativa não apresenta aportes financeiros externos e pretende usar o nome e a capacidade de arrecadação do clube.
“Esse negócio da SAFiel é uma enganação”, afirmou Rubão. Ele disse ser totalmente contrário à mudança e defendeu a preservação do modelo associativo, com alinhamento entre diretoria, Conselho Deliberativo, Cori e torcida.
O diálogo entre o Corinthians e os idealizadores da SAFiel avançou para uma fase técnica. Uma reunião presencial foi realizada na última quarta-feira, no Parque São Jorge, com duração de cerca de quatro horas. Depois do encontro, o vice-presidente Armando Mendonça considerou a conversa positiva, mas apontou dúvidas sobre a legalidade da operação.
A partir desses questionamentos, Mendonça preparou um documento com 105 perguntas para serem respondidas pelo grupo antes de qualquer avanço. No fim do último mês, o presidente Osmar Stabile havia declarado que assinaria um documento vinculante caso a SAFiel apresentasse recursos para quitar a Neo Química Arena.
Dias depois, o grupo enviou uma carta a Stabile aceitando a proposta, que inclui o pagamento do estádio, e pediu uma reunião urgente com a diretoria.




