A SAFiel pediu ao Corinthians uma definição sobre os próximos passos das negociações para transformar o clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mas rejeitou a exigência de quitar previamente a dívida da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal.
O grupo informou que voltou a procurar o Corinthians na segunda-feira, pouco mais de uma semana depois de enviar as respostas aos questionamentos apresentados pela diretoria e por órgãos de governança do clube. A SAFiel também solicitou uma reunião urgente e uma manifestação objetiva sobre a continuidade das tratativas. O encontro oficial mais recente entre as partes ocorreu em 26 de agosto.
Divergência sobre a Arena
O presidente Osmar Stabile condicionou novas conversas sobre a operação à quitação da dívida do estádio, que seria feita pela SAFiel. O projeto, porém, afirmou que não aceita assumir esse risco antes da assinatura de contratos que definam as obrigações de cada lado.
“Primeiro se constrói e se assina o acordo. Depois, cada parte cumpre as obrigações assumidas”, afirmou a SAFiel em seu comunicado. O grupo defendeu compromissos simultâneos, aprovações institucionais, segurança jurídica e instrumentos vinculantes para a negociação.
A iniciativa também declarou que pretende seguir discutindo a proposta com o Corinthians. Em 4 de agosto, enviou um documento com 108 questionamentos formalizados pelo clube, incluindo perguntas da diretoria, do Conselho Deliberativo, do Conselho de Orientação, do Conselho Fiscal, de conselheiros e de associados. O material tem 56 páginas.
Proposta apresentada pela SAFiel
A primeira proposta foi apresentada a Osmar Stabile em 2 de junho. O plano prevê a captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 3 bilhões. Os recursos seriam destinados à quitação das dívidas do futebol, a investimentos esportivos, melhorias na infraestrutura, mecanismos de governança e fortalecimento do clube social.
O projeto prevê participação direta dos torcedores na política do clube, com investimentos a partir de R$ 250 e limite de participação por CPF. Investidores externos poderiam adquirir ações sem direito a voto caso fosse necessário complementar o valor planejado.
A SAFiel também estabeleceu a preservação da identidade do Corinthians. A proposta não permite mudanças no nome, nos símbolos, nas cores ou no escudo. Em situações de descumprimento de obrigações essenciais, problemas graves de gestão ou descaracterização institucional, o clube poderia acionar uma cláusula para retomar o controle do futebol.
A operação ainda dependeria da aprovação dos órgãos estatutários, de uma investigação conduzida por uma empresa independente, de validações regulatórias e da aprovação final dos associados em Assembleia Geral.
Cronograma previsto
O cronograma apresentado pela SAFiel prevê a assinatura da proposta a partir da aceitação. A instalação do sistema virtual para o início das diligências ocorreria 30 dias depois. A conclusão da due diligence e do valuation, conduzidos por uma empresa Big Four, está prevista para 180 dias após a aceitação.
O registro dos fundos e das ofertas na Comissão de Valores Mobiliários ocorreria entre 180 e 210 dias. O roadshow, o período de reservas e o anúncio dos conselheiros independentes e do CEO seriam realizados em 210 dias.
A aprovação da SAFiel em Assembleia Geral dos associados e a chamada de capital para integralização dos recursos estão previstas para 300 dias. A instalação da governança e o começo das operações seriam concluídos em 360 dias após a aceitação.




