A situação financeira e os bloqueios para registrar jogadores estiveram entre os principais desafios da gestão de Osmar Stabile no Corinthians. As pendências acumuladas em negociações provocaram punições da Fifa, enquanto decisões no mercado da bola e mudanças administrativas movimentaram o clube antes da eleição prevista para 28 de novembro de 2026.
Pressão financeira e transfer bans
Em fevereiro de 2025, a Fifa condenou o Corinthians a pagar cerca de US$ 6 milhões ao Santos Laguna, do México, pela contratação de Félix Torres. O clube havia combinado a compra por US$ 6,5 milhões e quitado US$ 2 milhões. A decisão levou em conta o saldo de US$ 4,5 milhões, além de juros de 18% ao ano, multas e custos do processo. O Corinthians recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), mas ficou sem poder registrar atletas por seis meses.
Outro processo envolveu Maycon. Em junho de 2025, a Fifa determinou o pagamento de 1 milhão de euros ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, por atrasos ligados aos empréstimos do volante em 2023 e 2024. Com juros, multas e outras despesas, a dívida chegava a aproximadamente R$ 7 milhões. O prazo estabelecido era de 45 dias, sob risco de novo transfer ban.
Também apareceram cobranças relacionadas a Matías Rojas, Rodrigo Garro, José Martínez e Charles. As condenações somavam R$ 125,66 milhões em outubro de 2025, sem incluir eventuais mudanças provocadas por juros e variação cambial. Em 2026, a Fifa aplicou uma punição por uma dívida de US$ 1,5 milhão com o Philadelphia Union, que impediu o Corinthians de inscrever jogadores por três janelas de transferências.
Em julho, outra sanção surgiu por uma multa de US$ 225 mil, aproximadamente R$ 1,15 milhão, ligada a compromissos com José Martínez, Charles e Talles Magno. A diretoria informou que priorizou os salários do elenco. Depois, o clube pagou a multa de US$ 225 mil, cerca de R$ 1,1 milhão, e derrubou essa punição, embora outras restrições ainda permanecessem.
A chegada e a reorganização do clube
Stabile assumiu a presidência em 26 de maio de 2025, inicialmente como interino, depois que o Conselho Deliberativo aprovou o impeachment de Augusto Melo por 176 votos a 57, com um voto nulo. A transição teve um novo episódio de tensão cinco dias depois, quando Augusto Melo apareceu no Parque São Jorge acompanhado de aliados após uma decisão de Maria Angela de Sousa Ocampos, então primeira-secretária do Conselho Deliberativo.
Ela havia declarado nulos atos de Romeu Tuma Júnior e, por consequência, o impeachment aprovado dias antes. Stabile permaneceu na sala da presidência e afirmou que não deixaria o posto enquanto o Conselho Deliberativo não determinasse uma mudança. Em agosto daquele ano, após a confirmação da saída de Augusto Melo pelos associados, Stabile passou a conduzir o mandato iniciado em 2024 até o fim.
A administração também alterou a estrutura interna. Oito diretores estatutários foram destituídos nos primeiros dias, e o número de saídas chegou a 13 até 07 de junho de 2025, incluindo profissionais das áreas de comunicação, novos negócios e futebol de base. Na parte financeira, Emerson Piovesan assumiu a diretoria, Roberto Gavioli ficou com a controladoria e Rozallah Santoro voltou ao clube como consultor.
Gavioli, porém, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na investigação sobre o uso do cartão corporativo do Corinthians e acabou afastado pela presidência.
Investigações e conflitos políticos
A contratação da Bear Security para fazer a segurança de Stabile e de seus familiares também entrou no radar do MP-SP. A empresa começou a prestar o serviço em julho de 2025 e recebeu cerca de R$ 587 mil do Corinthians por meio de 12 notas fiscais. A companhia não tinha autorização da Polícia Federal para atuar com segurança privada.
Em 2026, o caso passou a integrar um Procedimento Investigatório Criminal conduzido pelo promotor Cássio Roberto Conserino. A investigação também envolveu a Mega Assessoria Operacional Ltda., que prestou serviços entre setembro e outubro de 2025 sem autorização da Polícia Federal e, segundo o Ministério Público, sem contrato formal com o clube. Posteriormente, Stabile foi denunciado à Justiça Comum pelo crime de apropriação indébita.
A relação com Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, também se desgastou. Tuma chegou a ser alvo de um processo interno sobre sua permanência no cargo e foi “destituído” em uma votação que não foi regulada pela Justiça.
Reviravoltas no futebol
Stabile participou diretamente de decisões sobre contratações e permanências. Alisson visitou o CT Joaquim Grava quando o empréstimo do meio-campista do São Paulo estava praticamente acertado, mas a operação foi barrada após a avaliação de que os custos não estavam previstos no orçamento. João Ricardo viajou para São Paulo para exames, mas foi reprovado pelo departamento médico. Já André Luiz recebeu uma proposta do Milan que poderia chegar a 17 milhões de euros, cerca de R$ 104 milhões na cotação da época, mas permaneceu no elenco.
A renovação de Memphis Depay foi outro ponto de mudança de rota. O contrato havia terminado em 31 de julho, e Stabile inicialmente decidiu não estendê-lo por razões financeiras. Após reação de torcedores e patrocinadores, o Corinthians retomou as conversas. A proposta passou a prever duas temporadas, redução salarial, mudanças nos benefícios e negociação de dívidas com o jogador.
O Conselho de Orientação deu parecer favorável depois de uma votação empatada em seis votos a favor e seis contra, resolvida pelo presidente do órgão, Miguel Marques e Silva. Stabile confirmou a permanência, e o novo contrato foi oficializado em 18 de agosto de 2026, com validade até 31 de julho de 2028.




