O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sugeriu ao presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, a venda da Fazendinha para ajudar o Corinthians a quitar a dívida referente ao financiamento da Neo Química Arena.
Em entrevista ao podcast Desce a Letra, Lula disse estar preocupado com os valores da operação. Segundo ele, o Corinthians tomou R$ 400 milhões para construir o estádio, já pagou R$ 1,075 bilhão e ainda teria um débito de R$ 600 mil. O presidente atribuiu a diferença à incidência de juros.
A situação também é analisada pelo Ministério Público de São Paulo. No início de setembro, o órgão instaurou um procedimento administrativo para verificar quanto ainda precisa ser pago pelo clube à Caixa. A apuração começou após um estudo do perito Anísio Costa Castelo Branco indicar possíveis inconsistências nos cálculos, especialmente em multas e encargos financeiros.
A perícia apontou uma diferença de aproximadamente R$ 255,7 milhões entre os valores cobrados pela Caixa e os cálculos apresentados pelo especialista. O MP-SP determinou uma nova análise técnica, considerando o contrato assinado em 2013, os pagamentos feitos pelo Corinthians e os critérios usados na atualização da dívida. A Caixa afirmou que não encontrou irregularidades na operação.
Lula também mencionou a campanha da Gaviões da Fiel, para a qual disse ter doado R$ 1.013. De acordo com o presidente, a arrecadação chegou a 8% do valor total. A proposta apresentada à Caixa prevê um convênio com o setor imobiliário para vender a área da Fazendinha e direcionar os recursos ao pagamento do débito da Arena.
A Fazendinha fica no Parque São Jorge e continua sendo utilizada pelo Corinthians ao longo da temporada. O espaço recebe atividades das categorias de base masculinas e femininas, além de partidas das Brabas, que disputam a maior parte dos jogos como mandantes no estádio.
A discussão ocorre em meio à situação financeira do clube. O Corinthians encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões e tem endividamento total próximo de R$ 2,8 bilhões. O clube também enfrenta restrições no mercado e atrasos em pagamentos ao elenco profissional.




