O acordo tributário firmado pelo Corinthians com a União prevê o pagamento de R$ 679 milhões em quatro frentes. A renegociação, porém, entrou em risco após o clube deixar de quitar as parcelas referentes a junho, julho e agosto, conforme registros do Sispar, sistema da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
A inadimplência reúne débitos previdenciários e não previdenciários. As prestações previdenciárias são de R$ 2.001.982,48 cada e somam R$ 6.005.947,44 no período. Já as demais parcelas têm valor de R$ 4.829.616,18, totalizando R$ 14.488.848,54. Com isso, o débito pendente chega a R$ 20.494.795,98.
A PGFN notificou o Corinthians em agosto, após o descumprimento de três parcelas consecutivas. O próximo pagamento está previsto para 30 de setembro. Caso o clube também não cumpra esse prazo, o valor em atraso pode aumentar em quase R$ 7 milhões.
Como funciona a renegociação
O Corinthians obteve, em fevereiro, desconto de 46,6% sobre uma dívida de R$ 1,2 bilhão com a União. O montante incluía R$ 1 bilhão em débitos não previdenciários, R$ 200 milhões em débitos previdenciários e R$ 15 milhões referentes ao FGTS. A estimativa apresentada pelo clube era reduzir a dívida em R$ 200 milhões.
O pagamento foi dividido em 60 parcelas para os débitos previdenciários, 120 parcelas para os débitos não previdenciários e 60 parcelas para o FGTS, com desconto de 30%. Os créditos de contribuição social seriam pagos à vista, com desconto de 70%.
Para obter a renegociação, o Corinthians ofereceu como garantias os valores que tem a receber da Timemania e o Parque São Jorge, avaliado em R$ 602,2 milhões no acordo.
O clube reconheceu o atraso e mantém contato com a PGFN para tentar preservar o acordo. Se houver rescisão, os benefícios da negociação serão perdidos, a dívida será restabelecida sem os descontos e apenas os valores já pagos serão deduzidos.
A transação também foi questionada na aprovação das contas de 2025. O Conselho de Orientação apontou ressalvas no relatório da Parker Russell, responsável pela auditoria independente. Além disso, foi apresentado um pedido de impeachment contra Osmar Stabile, sob a alegação de que o Parque São Jorge foi oferecido como garantia sem o cumprimento das exigências previstas no estatuto do clube.



