Clubes das principais ligas europeias reorganizaram os patrocínios das camisas após restrições às empresas de apostas. Na Inglaterra, na Itália e na Espanha, bancos, empresas de tecnologia, turismo, energia e entretenimento passaram a ocupar espaços antes destinados às bets.
Na Premier League, os clubes aceitaram retirar os patrocínios de casas de apostas da parte frontal dos uniformes a partir da temporada 2026/2027. Antes da mudança, 11 dos 20 times tinham empresas do setor nessa área da camisa.
O setor financeiro se tornou o mais presente entre os patrocinadores máster do Campeonato Inglês. Empresas de turismo, seguros, recrutamento, tecnologia e serviços financeiros também assumiram espaços deixados pelas casas de apostas.
Itália encontrou alternativas ligadas ao próprio mercado
Na Serie A, a proibição de publicidade de apostas está em vigor desde 2018. Ainda assim, Inter de Milão, Roma e Monza mantêm acordos com marcas relacionadas ao setor, apresentadas nos contratos como empresas de conteúdo, informação e entretenimento esportivo.
A Inter exibe a Betsson Sport, definida pela empresa como uma plataforma de sport infotainment. A Roma utiliza a Eurobet.live, que oferece resultados, estatísticas, podcasts e outros conteúdos esportivos, sem mostrar diretamente a marca Eurobet no uniforme.
O Monza fechou com a DAZN Bet Club para a temporada 2026/27. A parceria é apresentada pelo clube e pela marca como uma iniciativa de entretenimento e relacionamento com os torcedores.
Fora essas exceções, os clubes italianos recorreram a marcas de alimentos e bebidas, turismo, serviços financeiros, tecnologia e energia para os principais acordos de camisa.
Bancos lideram na Espanha
Na Espanha, a proibição de patrocínios de casas de apostas em camisas e uniformes começou em 2020. Na temporada 2026/27, o setor financeiro aparece como o principal entre os patrocinadores máster das duas divisões mais importantes, com cinco clubes.
Entre os acordos citados estão Kutxabank com o Athletic Bilbao, Baghdadi Capital com a Real Sociedad e Emirates com o Real Madrid. O Barcelona mantém o Spotify, enquanto o Rayo Vallecano tem a Digi no espaço principal da camisa. Entre os demais segmentos presentes estão entretenimento, turismo e telecomunicações.
Clubes brasileiros ainda aguardam definição
No Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes da primeira divisão têm patrocínios máster de casas de apostas. Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians possuem contratos superiores a R$ 100 milhões por ano.
Com a publicação da MP, essas equipes precisarão reorganizar os principais espaços comerciais dos uniformes. A medida provisória já está em vigor, mas ainda será analisada pelo Congresso Nacional. Até 5 de outubro, os clubes terão de retirar de suas propriedades os materiais publicitários e sinais de patrocínio ligados às bets.
Cada equipe deverá decidir como tratar os contratos assinados com as empresas. O Santos foi o primeiro clube brasileiro a suspender um acordo do setor: retirou a Novibet da camisa e de suas ações publicitárias, sem rescindir o vínculo. A parceria continua suspensa enquanto o clube aguarda os próximos desdobramentos.



