LONDRES — O julgamento que condenou o Manchester City afirma que o clube não cooperou com os investigadores da Premier League durante anos. A decisão também descreve mecanismos usados para esconder valores e contornar as regras de gastos da competição.
De acordo com o julgamento, o City movimentou mais de 900 milhões de libras (R$ 6,21 bilhões) ao longo de nove temporadas por meio de acordos de patrocínio considerados “falsos”. Os contratos teriam sido utilizados para evitar os limites impostos aos clubes da liga inglesa.
A decisão aponta ainda que o Grupo Abu Dhabi United (ADUG), controlador do Manchester City, bancou pagamentos adicionais a um jogador. O valor, de 7,4 milhões de libras, não foi registrado no contrato com o clube e, segundo o documento, ocultou a dimensão real das obrigações relacionadas à remuneração.
Acordo envolvendo Mancini
Roberto Mancini, que comandava o City na época, recebeu valores por meio de um acordo secreto com o Al Jazira, clube-irmão da equipe em Abu Dhabi. O treinador recebeu os pagamentos além do salário pago pelo Manchester City. A soma, de quase 9 milhões de libras, não foi informada à Premier League.
O julgamento afirma que o sistema contou com o conhecimento e a aprovação de pessoas ligadas ao clube. Sobre a investigação, a decisão diz que o Manchester City “fez esforços concentrados para parar e frustrar a investigação da PL”.
Possíveis punições
Ainda não há sanção anunciada. Entre as possibilidades discutidas estão uma dedução de pontos suficiente para provocar o rebaixamento do City nesta temporada ou uma punição distribuída por várias temporadas, dificultando o retorno à Premier League.
O clube também pode perder os três títulos da competição conquistados durante o período analisado e receber uma multa substancial. Outros clubes ainda poderiam buscar medidas legais por eventuais perdas de receitas relacionadas às infrações.
Outra hipótese mencionada é o afastamento dos proprietários de Abu Dhabi. Essa possibilidade foi citada pelo primeiro-ministro britânico Andy Burnham, que afirmou não querer “perdê-los”. Burnham foi prefeito da Grande Manchester.



