RIO DE JANEIRO — A entrada de Anthony Garotinho (Republicanos) na corrida pelo governo do Rio tende a reduzir a competitividade de Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e candidato apoiado por Flávio Bolsonaro (PL).
Garotinho anunciou a candidatura na segunda-feira (20). Nas pesquisas mencionadas, ele aparece em terceiro lugar, atrás de Eduardo Paes (PSD), líder, e de Ruas, que ocupa a segunda posição.
A avaliação é que o ex-governador pode atrair parte dos votos de direita que hoje estariam com Ruas. Em 2018, quando teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, os votos de Garotinho migraram para Wilson Witzel (PSC), então candidato de direita que aparecia com 4% das intenções. Witzel venceu Paes e foi eleito.
“Ele divide o lado conservador e da política de direita com o Douglas”, afirmou um aliado de Paes. Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT, disse que a candidatura não deve retirar votos do ex-prefeito do Rio e classificou Garotinho como “mais do mesmo, a velha política que afundou o Rio em acordo com a bandidagem”.
A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRJ, avalia que a presença de Garotinho pode levar a eleição ao segundo turno. Para ela, o candidato tende a crescer entre eleitores de direita, evangélicos e conservadores, além de conquistar espaço no interior do estado. Paes, por outro lado, teria maior força na capital e entre setores progressistas.
Apoio partidário e cenário de Ruas
Garotinho também pode atrair apoio evangélico. O Republicanos tem ligação com a Igreja Universal e conta com Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio, como expoente e pré-candidato ao Senado. O partido, porém, não está totalmente alinhado ao ex-governador: uma fonte ligada à legenda afirmou que a Executiva Nacional preferia André Português, ex-prefeito de Miguel Couto. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, negou a existência de insatisfação.
O grupo de Ruas perdeu nomes nos últimos meses. Cláudio Castro (PL), inicialmente pré-candidato ao Senado, retirou-se da disputa após se tornar alvo de investigações. Márcio Canella (União), que o substituiria, perdeu força ao ser preso.
No domingo (19), Rogério Lisboa (PP), indicado para vice de Ruas, desistiu da chapa alegando motivos pessoais. O PP informou que a decisão foi tomada “de forma respeitosa”. Paes e Garotinho não responderam aos contatos, enquanto a assessoria de Ruas informou que não comentaria.



