Véron Mosengo-Omba, presidente da Associação de Futebol da República Democrática do Congo (Fecofa), saiu em defesa de Gianni Infantino e acusou Uefa, Concacaf e AFC de conduzirem uma oposição com interesses não declarados contra o presidente da Fifa. A disputa aumentou após a crise envolvendo o plano comercial apresentado pela entidade depois da Copa do Mundo.
Mosengo-Omba afirmou que as três confederações não têm direito de votar no processo eleitoral da Fifa. Para ele, apenas as associações-membro podem participar diretamente da votação e apresentar propostas. “Essas três instituições têm uma agenda oculta”, declarou.
Apoio a Infantino e eleição de 2027
Infantino busca o quarto mandato à frente da Fifa. A candidatura será inscrita até 28 de novembro, e a eleição está marcada para 28 de março, em Rabat, no Marrocos. O primeiro mandato foi iniciado para substituir Joseph Blatter, o que permite a tentativa de reeleição.
Mosengo-Omba disse acreditar que a maioria das associações-membro continua apoiando Infantino por causa dos resultados entregues ao longo de 10 anos de gestão. Ele citou o aumento dos recursos do programa Forward, a realização da FIFA Series e a disputa anual de competições sub-17 e sub-20.
O dirigente também afirmou que países com menos recursos dependem do dinheiro da Fifa para desenvolver o futebol. Como exemplo, mencionou Granada, uma ilha com menos de 200 mil habitantes que disputou uma partida amistosa em Ruanda.
Na avaliação dele, a proposta comercial da Fifa, chamada FFE, poderia ampliar os recursos destinados ao futebol. Mosengo-Omba comparou o projeto às negociações envolvendo La Liga e a liga profissional da França. Segundo ele, La Liga vendeu quase 10% dos direitos de TV e marketing à CVC Partners, enquanto a liga francesa vendeu 13% da licença de direitos de TV e marketing e arrecadou 1,5 bilhão de euros.
O presidente da Fecofa sugeriu que as confederações também comprem parte das ações. A África poderia adquirir 5%, e a Ásia, 10%. Ele ainda propôs que bancos africanos emprestem dinheiro à Confederação Africana (CAF), com pagamento posterior a partir das receitas geradas.
Relação com o presidente da Fifa
Mosengo-Omba conheceu Infantino há mais de 30 anos, quando os dois estudaram na universidade, na Suíça. Ele também trabalhou na Fifa a partir de 2016, como diretor de associações, e deixou o cargo em 2021 para assumir a secretaria-geral da CAF. A função terminou em março deste ano, antes de ele assumir a presidência da Fecofa, em maio.
O dirigente negou que a amizade seja o motivo de seu apoio. Disse que os dois compartilham valores como integridade, respeito e solidariedade e que sua defesa de Infantino está ligada ao cumprimento das promessas feitas durante a campanha para a presidência da Fifa.
Mosengo-Omba também criticou Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Sheikh Salman, dirigente da entidade asiática, por alterações nos estatutos relacionadas à permanência no poder. Para ele, Infantino não cometeu irregularidade ao apresentar a proposta comercial, já que o projeto dependeria da aprovação da maioria das associações-membro e do Conselho da Fifa.
Acusações e mudanças na federação congolesa
O presidente da Fecofa rejeitou acusações de irregularidades durante sua passagem pela CAF e na eleição para comandar a federação da República Democrática do Congo. Ele reconheceu falhas na condução da Liga Africana de Futebol e do Campeonato Africano de Futebol Escolar, mas negou ter obstruído processos.
Na administração da Fecofa, Mosengo-Omba afirmou ter encontrado problemas na estrutura administrativa, na arbitragem e na justiça desportiva. Como medida inicial, a federação contratou 70 árbitros, que passaram a ser avaliados depois das partidas. Um profissional que receber nota 5 de 10 teria uma nova oportunidade; se repetisse a avaliação no jogo seguinte, seria afastado.
Ele também disse que a entidade passou a realizar processos seletivos abertos para preencher cargos e afirmou que a eleição para a presidência foi contestada no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). O caso, segundo Mosengo-Omba, seguirá em tramitação.
Seleção e Copa do Mundo
Mosengo-Omba avaliou a participação da seleção da República Democrática do Congo na Copa do Mundo. Embora tenha considerado histórico o retorno da equipe após 52 anos, afirmou que ficou insatisfeito com o empate contra Portugal e com o jogo diante da Inglaterra.
Para ele, a expansão da competição para 48 seleções deu à equipe africana a oportunidade de mostrar que pode competir com os melhores. O dirigente projetou uma campanha diferente na edição de 2030, que será realizada na Espanha, em Marrocos e em Portugal.
Ele também defendeu que Marrocos receba a final da próxima Copa do Mundo. Na avaliação do presidente da Fecofa, o país está construindo um estádio preparado para a decisão e a África merece sediar o jogo.
Por fim, Mosengo-Omba comentou o caso do árbitro africano Omar Artan, que não pôde atuar nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo e retornou à Somália. Ele disse ter enviado uma mensagem ao profissional, mas afirmou que a situação não deve ser atribuída a Infantino ou à Fifa.



