As primeiras demissões e os primeiros fechamentos de veículos foram registrados no jornalismo esportivo nesta semana após a proibição das bets. Profissionais do setor passaram a enfrentar os efeitos da redução de uma fonte de receita que sustentava empresas de comunicação.
Um dos casos envolve o grupo francês North Star Network, que chegou ao Brasil em 2023 e comprou os veículos Trivela, Superesportes e UmDoisEsportes. O grupo adotava um modelo baseado na produção em grande volume de conteúdo esportivo, na busca por audiência e na exibição de anúncios de casas de apostas. Com a perda desse faturamento, mais funcionários foram demitidos.
A dependência da publicidade das bets também expôs a dificuldade de companhias que não têm estrutura financeira para absorver uma mudança imediata. Clubes de futebol aparecem entre os negócios afetados pelos custos já assumidos, mas o impacto também alcança empresas e trabalhadores ligados à cobertura esportiva.
A proibição das apostas é defendida com argumentos relacionados à saúde pública, ao envolvimento com o crime e à contravenção. Ainda assim, a mudança sem um período de adaptação é apontada como um problema. A avaliação é que restrições acompanhadas de um prazo de transição poderiam reduzir os efeitos sobre pessoas que estavam empregadas.
O debate não se limita à permanência ou ao fim das bets. A forma como a regra foi aplicada também trouxe questionamentos sobre a segurança para empreender e trabalhar no Brasil. A crítica é que empresas não conseguem se livrar dos custos acumulados de um dia para o outro, especialmente quando construíram seu modelo de negócios em torno da publicidade das casas de apostas.



