A expansão da inteligência artificial aumenta a preocupação com a preservação da memória, do raciocínio e do pensamento crítico. A discussão ganha peso no Brasil após os resultados do Pisa 2025, que mostraram dificuldades dos estudantes em matemática, leitura e ciências.
O Pisa contou com a participação de 91 países e economias. Desde a primeira edição, em 2000, o Brasil ficou abaixo da média da OCDE em todas as áreas avaliadas. No resultado mais recente, sete de cada dez estudantes brasileiros não alcançaram o nível 2, considerado básico, em matemática. Em leitura, 51% ficaram abaixo desse patamar.
O Ministério da Educação ressaltou que o Brasil esteve entre os países que mais avançaram em proficiência nos últimos 20 anos e reduziu a distância em relação à média da OCDE. A melhora, porém, não elimina o baixo desempenho apresentado pelos estudantes.
O papel da inteligência artificial
A preocupação com os efeitos da IA sobre a capacidade de pensar também aparece em experiências acadêmicas. Helen Pearson relatou o caso de Lixiang Yan, pesquisador da Universidade de Tsinghua, em Pequim. Ele constatou que um agente de IA conseguia executar todas as tarefas de um curso online, sem que o aluno precisasse se envolver intelectualmente com o conteúdo.
Uma pesquisa realizada em 2025 com mais de mil professores universitários dos Estados Unidos mostrou que 90% deles acreditavam que a IA generativa reduziria as habilidades de pensamento crítico dos estudantes.
O uso da tecnologia, no entanto, pode ser direcionado a tarefas operacionais que consomem tempo e não exigem julgamento. Dessa forma, o trabalho humano permanece concentrado na análise de dados e fatos, na formulação de hipóteses e na interpretação de evidências com base em conhecimento, experiência e pensamento crítico.
O pensamento crítico permite ir além de manchetes e narrativas para interpretar os acontecimentos de forma autônoma. Por isso, o desenvolvimento da inteligência humana não deve ser delegado a uma ferramenta de IA ou a qualquer outra pessoa.



