A SAFiel encerrou a perspectiva de fechar um acordo com a gestão de Osmar Stabile, mas não retirou do horizonte a proposta de transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol. O grupo afirma que a decisão definitiva sobre o projeto cabe aos associados do clube.
Carlos Teixeira, um dos idealizadores da iniciativa, disse que a proposta não deve avançar durante a atual administração. Eduardo Salusse, coidealizador do projeto, apontou a ausência de comunicação com a diretoria nas últimas três ou quatro semanas e a proximidade da eleição como fatores que fecharam a possibilidade de entendimento imediato.
Reunião no Parque São Jorge
O primeiro encontro oficial entre o Corinthians e a SAFiel ocorreu no fim de agosto, no Parque São Jorge, e durou pouco mais de quatro horas. A reunião serviu para a apresentação dos principais pontos da proposta não vinculante, entregue ao clube em junho. Depois, as partes também discutiram o memorial descritivo do projeto.
Segundo Carlos Teixeira, participaram do encontro Osmar Stabile, Armando Mendonça, Romeu Tuma, Miguel Marques e outros diretores. Ao fim da reunião, o grupo recebeu cerca de 200 perguntas técnicas. Teixeira afirmou que Stabile também pediu que as conversas deixassem de ser conduzidas pela imprensa.
A relação mudou depois que o presidente condicionou a assinatura da proposta vinculante à quitação do financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal. A SAFiel declarou ter aceitado a exigência e enviou um e-mail ao clube com as providências necessárias, além de uma correspondência registrada para confirmar o recebimento.
O grupo, porém, afirma que não recebeu resposta direta da presidência. Teixeira relatou que a transferência dos valores sem garantias contratuais anteriores foi considerada inviável do ponto de vista financeiro, empresarial e jurídico. Para a SAFiel, a exigência passou a representar um obstáculo político sem respaldo jurídico ou estatutário.
Romeu Tuma informou que encaminharia o assunto ao Conselho Deliberativo, enquanto Miguel Marques confirmou o recebimento e agradeceu. De acordo com Eduardo Salusse, Osmar Stabile não respondeu aos documentos enviados.
Proposta continua no radar
Apesar do impasse, os integrantes da SAFiel afirmam que a iniciativa não pertence exclusivamente à diretoria em exercício. O grupo sustenta que os associados devem decidir, em Assembleia Geral, se há interesse na continuidade do projeto. Salusse disse: “O legítimo titular do direito soberano de deliberar é o sócio do clube”.
A proposta apresentada em 2 de junho prevê a captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de alcançar R$ 3 bilhões. Os recursos seriam usados para quitar dívidas do futebol, investir na área esportiva, melhorar a infraestrutura, criar mecanismos de governança e fortalecer o clube social.
O plano também prevê participação direta dos torcedores na política do clube, com investimentos a partir de R$ 250 e limites por CPF. Investidores externos poderiam adquirir ações sem direito a voto para complementar o valor necessário.
A identidade do Corinthians seria preservada, incluindo nome, símbolos, cores e escudo. Em situações de descumprimento de obrigações essenciais, problemas graves de gestão ou descaracterização institucional, o clube poderia acionar uma cláusula para retomar o controle do futebol.
A operação ainda dependeria da aprovação dos órgãos estatutários, de investigação conduzida por uma empresa independente, de validações regulatórias e da aprovação final dos associados em Assembleia Geral. O cronograma prevê a instalação do sistema virtual para as diligências 30 dias após a aceitação; a conclusão da due diligence e do valuation 180 dias depois; registros na Comissão de Valores Mobiliários entre 180 e 210 dias; e a instalação da governança e o início das operações 360 dias após a aceitação.
Mesmo sem avanço com a atual diretoria, a SAFiel afirma que continuará trabalhando pela proposta e não pretende abandonar a mobilização em torno do projeto.



