A SAFiel vai limitar a 2% a participação de cada credor que receber ações como forma de pagamento em uma eventual operação envolvendo o Corinthians. A regra faz parte da versão 2.1 do projeto, que também passou por atualizações legais e mais de 60 ajustes identificados após contribuições de torcedores e conselheiros.
A mudança foi incluída depois que questionários apontaram o risco de grandes credores acumularem ações e influenciarem o controle acionário do clube. Eduardo Salusse explicou que a proposta poderá permitir o uso de ações para quitar dívidas, mas com teto individual, possibilidade de emissão de papéis sem direito a voto e necessidade de aprovação dos sócios.
“Essa previsão realmente não constava no projeto”, afirmou Salusse ao comentar a ausência da trava na versão anterior. Segundo ele, a sugestão foi incorporada ao novo documento junto com outros pontos levantados durante o processo de consulta.
Atualização da proposta
O projeto foi lançado em 28 de outubro de 2025 com o objetivo de transformar o Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol. A transição da versão 2.0 para a 2.1 também ocorreu porque a legislação do setor mudou poucas semanas depois da publicação inicial.
Salusse disse que as alterações legais já haviam sido mapeadas pelos idealizadores, mas ainda não tinham sido incluídas no material disponível ao público. A equipe realizou uma revisão final antes de preparar a divulgação detalhada da nova versão.
Carlos Teixeira classificou as mudanças como ajustes de aprimoramento, sem alteração estrutural no modelo proposto. Para ele, as perguntas recebidas ajudaram a deixar o texto mais claro e a revisar pontos específicos.
Custos e concorrência
O avanço do projeto ainda depende de etapas consideradas complexas e caras, principalmente depois da assinatura do memorando inicial. Teixeira apontou a due diligence como o principal custo, por envolver a contratação de uma Big Four para auditar o clube.
O empresário também afirmou que já existem propostas de SAF de dono na mesa da diretoria do Corinthians e defendeu a concorrência entre os modelos. A avaliação, segundo ele, deve permitir a comparação entre as alternativas apresentadas.
A versão 2.1 deverá ser disponibilizada ao público de forma mais detalhada. Teixeira afirmou que o grupo mantém confiança na própria proposta, mas apoiará outra iniciativa caso ela seja considerada melhor para o Corinthians.



