O balancete de julho do Corinthians registrou déficit de R$ 278 milhões no exercício e foi classificado como “calamitoso” por Carlos Teixeira, um dos idealizadores da SAFiel, projeto que pretende administrar o futebol do clube por meio de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Em entrevista, Teixeira afirmou que o Corinthians enfrenta transfer bans, salários atrasados, receitas antecipadas e uma transação tributária que precisa ser mantida para que o clube não perca benefícios. Para ele, a dificuldade financeira é desafiadora tanto no curto quanto no longo prazo.
O idealizador da SAFiel também comentou a informação apresentada pelo pré-candidato à presidência do Corinthians, Sérgio Janikian, sobre empréstimos recentes contratados pelo clube. As taxas mencionadas seriam de CDI mais 10% e CDI mais 18%. Teixeira avaliou que esse nível de custo indicaria dificuldade de acesso a novos financiamentos bancários.
A tentativa de negociação do presidente Osmar Stabile com a Caixa também foi abordada. Teixeira disse esperar que a gestão tenha alternativas caso o acordo não avance e afirmou que novos atrasos poderiam fazer o Corinthians “literalmente travar”. Ele ainda relacionou a resistência a mudanças no clube à existência de opções financeiras para o grupo que, segundo ele, controla a instituição.
Dívidas e indicadores do balancete
Eduardo Salusse, outro idealizador da SAFiel, afirmou que o balancete reforçou a estimativa apresentada pelo grupo de que a dívida do Corinthians aumentava R$ 1,2 milhão por dia. Ele lembrou que, no ano passado, a dívida era estimada em quase R$ 3 bilhões e que uma taxa Selic de 15% resultaria em aproximadamente R$ 450 milhões de juros. A divisão desse valor pelos 365 dias do ano levaria ao patamar de R$ 1,2 milhão diário.
Na avaliação de Salusse, os R$ 278 milhões de déficit registrados em sete meses também sustentariam essa conta. Ele afirmou que o balanço mostra sinais de deterioração financeira e citou um patrimônio líquido negativo de R$ 1,5 bilhão, além de uma situação de caixa de R$ 9 milhões, valor que, segundo ele, equivaleria a menos de dois dias de operação.
O dirigente também disse que as receitas operacionais, como bilheteria, venda de jogadores e direitos de televisão, são consumidas pelas despesas. Dessa forma, não sobrariam recursos para os juros da dívida, a contratação de jogadores ou investimentos em melhorias.
Salusse afirmou ainda que o EBITDA do Corinthians é de aproximadamente R$ 9 milhões, ou 0,2% da receita, enquanto os juros equivalem a 227 vezes esse resultado. Segundo ele, 32% do passivo vêm de receitas antecipadas, 28% correspondem a parcelamentos tributários e 94% do ativo são contas a receber. O patrimônio teria piorado R$ 280 milhões em sete meses.
SAFiel prevê captação maior
O agravamento das contas levou a SAFiel a elevar a previsão de captação da versão 2.0 do projeto. Na etapa anterior, a estimativa era de R$ 1,5 bilhão, quando o passivo do Corinthians estaria em torno de R$ 2,1 bilhões. Agora, a proposta prevê R$ 2,5 bilhões.
Teixeira também destacou o volume de obrigações de curto prazo, calculado em cerca de R$ 900 milhões. Ele afirmou que a recuperação judicial do Corinthians já era apontada como atrasada há um ano e demonstrou preocupação com a possibilidade de o acordo com a Caixa não ser concluído.



