Associados do Corinthians protocolaram na Comissão de Ética & Disciplina do clube um pedido de apuração contra três conselheiros vitalícios: Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger. A solicitação está relacionada às medidas judiciais que impediram a realização da Assembleia Geral destinada a votar a reforma do Estatuto.
Os advogados e sócios Adeildo Heliodoro dos Santos e Wendell Heliodoro dos Santos afirmam que os conselheiros recorreram à Justiça para barrar o pleito. A Assembleia foi suspensa novamente após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo na última sexta-feira.
Pedido à Comissão de Ética
A dupla solicitou a individualização da responsabilidade de cada conselheiro na ação encaminhada a Leonardo Pantaleão, presidente da Comissão de Ética. Os associados sustentam que houve prejuízo à imagem institucional do Corinthians, com base no artigo 24 do Estatuto, e citam a possibilidade de desligamento do quadro associativo prevista no artigo 28, alínea “E”.
O pedido também menciona uma manifestação de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, que demonstrou surpresa com os recursos apresentados pelos conselheiros vitalícios. Para os autores, as matérias haviam sido aprovadas pelo plenário do Conselho e, por isso, não impediriam a realização da Assembleia Geral.
A Comissão de Ética vai analisar provas e documentos antes de decidir se abrirá um procedimento disciplinar. Também será avaliada a possibilidade de suspensão liminar dos três conselheiros.
Os envolvidos movem recursos contra a reforma desde junho. Na última semana, chegaram a ser derrotados quando a Assembleia Geral foi autorizada a deliberar sobre os 11 temas propostos. Ao todo, foram quatro suspensões no período.
Temas da reforma estatutária
Entre os pontos previstos estão o direito de voto para o associado de futebol, já para 2026; a redução do Conselho Deliberativo para 200 membros, sendo 150 eleitos e 50 vitalícios; candidaturas individuais para o Conselho; e redução do período de carência para três anos.
A proposta também prevê eleição presidencial em dois turnos, mudanças na composição e na escolha do Conselho de Ética, limitação dos membros natos do Cori aos últimos cinco ex-presidentes do Conselho Deliberativo e da diretoria, além de balancetes trimestrais, possibilidade de reeleição do atual presidente por regra de transição e orçamento para o Conselho Deliberativo.
As propostas estão em discussão desde o ano passado, com audiências públicas envolvendo conselheiros, associados e torcedores. O Estatuto do Corinthians foi revisado pela última vez em 2008.




