SÃO PAULO E BRASÍLIA — Dois dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) disputam vagas de suplente nas eleições ao Senado por Alagoas. Gustavo Dias Henrique integra a chapa de Renan Calheiros (MDB), enquanto Gustavo Feijó é suplente de Arthur Lira (PP). Os dois políticos são adversários em Alagoas.
Dias ocupa a vice-presidência com mais poder entre os oito vice-presidentes da CBF e aparece como primeiro suplente de Calheiros, que busca a reeleição para o quinto mandato. Nascido em Brasília, ele atua na articulação política da entidade e é consultado pelo presidente Samir Xaud.
O dirigente também costuma acompanhar atividades da seleção brasileira e participar de compromissos da confederação. Antes de chegar à vice-presidência, foi diretor de relações governamentais da CBF. Em 2024, ficou responsável pela casa de eventos da entidade no Lago Sul, aberta durante a gestão de Ednaldo Rodrigues.
A trajetória de Dias inclui passagens pela Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) e pela presidência da Biotic S/A, subsidiária da empresa. A indicação para a suplência de Renan Calheiros foi articulada pelo governador Paulo Dantas (MDB), com quem o cartola mantém relações antigas.
Feijó na chapa de Arthur Lira
Diretor de futebol masculino da CBF, Gustavo Feijó exerce, na prática, a função de diretor de seleções. O cargo o mantém próximo da seleção brasileira. Ele integrou a delegação que esteve nos Estados Unidos para a Copa do Mundo e retomou espaço na confederação após a chegada de Xaud à presidência, em maio do ano passado.
Feijó costuma viajar com a seleção e aparecer ao lado de Carlo Ancelotti. Para se dedicar à campanha, porém, não acompanhou nenhum dos três amistosos do Brasil na Austrália e na Índia.
O alagoano foi vice-presidente nas gestões de Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo. Em 2022, tentou disputar a presidência da CBF, mas não conseguiu registrar a chapa. Naquele período, também buscou suspender a eleição que escolheria Ednaldo Rodrigues pela primeira vez.
Na política, Feijó foi prefeito de Boca da Mata por duas vezes, em mandatos entre 2012 e 2020. Em 2019, foi investigado por desvio de R$ 28 milhões da prefeitura e afastado pelo Ministério Público local por 180 dias.
Em 2022, a Justiça Eleitoral de Alagoas declarou Feijó inelegível por oito anos por abuso de poder político no uso da prefeitura em benefício da campanha de seu sobrinho, Bruno Feijó, em 2020. A decisão foi posteriormente revista.



