A proposta liderada pelo Santos para mudar o calendário do fair play financeiro ainda não foi formalizada. O clube busca apoio entre equipes das Séries A e B para apresentar à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) um pedido de ampliação do período de transição para dívidas anteriores a 2026.
O plano é levar a adaptação até novembro de 2028 ou, no mínimo, até o fim de 2027. A iniciativa, porém, divide os participantes. O Cuiabá está entre os clubes que se posicionaram contra a alteração, sob o argumento de que uma flexibilização poderia prejudicar equipes que mantêm as contas em dia.
O que está previsto no regulamento
Pelas regras atuais, os débitos anteriores a 2026 permanecem em transição até 30 de novembro deste ano. Nesse intervalo, o descumprimento das exigências gera apenas advertências. A partir de dezembro, o regulamento permite medidas como multas, retenção de receitas, restrições ao registro de jogadores e perda de pontos.
Em situações graves, também podem ser aplicadas sanções de rebaixamento e cassação da licença. Os clubes favoráveis ao adiamento afirmam que o prazo disponível é insuficiente para resolver dívidas históricas e de valores elevados. Eles também citam a medida recente do governo federal envolvendo as casas de apostas como um possível fator de redução nas receitas de patrocínio.
As estimativas apresentadas na discussão apontam que o endividamento líquido dos principais clubes brasileiros varia entre R$ 16 bilhões e R$ 17,3 bilhões. Para os defensores da proposta, uma cobrança imediata poderia elevar os atrasos entre equipes, porque o débito de um clube também corresponde a um valor a receber por outro.
Regras do sistema
O Fluminense está submetido ao Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro. Uma eventual mudança no prazo das punições poderá interferir no planejamento financeiro dos participantes das Séries A e B, mas qualquer alteração ainda depende de análise e decisão da ANRESF.
Anunciado em novembro de 2025, o sistema tem quatro pilares: solvência, equilíbrio financeiro, controle de custos e endividamento. A entidade acompanha pagamentos, receitas, despesas e dívidas informados pelos clubes.
As transações entre equipes e os contratos dos atletas precisam ser registrados no sistema da CBF, com os valores previstos, salários e direitos de imagem. Na Série A, o limite para déficits é de R$ 30 milhões ou 2,5% das receitas relevantes, considerando o maior valor. Na Série B, o teto é de R$ 10 milhões ou 2,5% das receitas.
O controle da dívida líquida de curto prazo terá implementação gradual até 2030. Enquanto não houver decisão oficial, permanece em vigor o calendário de punições estabelecido no regulamento atual.




