O Corinthians terminou julho com R$ 8,98 milhões em caixa, abaixo dos R$ 12,5 milhões previstos no repasse mensal da Esportes da Sorte. O patrocínio máster é projetado em R$ 150 milhões por ano, mas a continuidade dos pagamentos está cercada de incertezas diante da situação das casas de apostas no Brasil.
A dificuldade financeira já afetou o calendário de pagamentos do elenco. O clube quitou com atraso os salários de abril, junho, julho e agosto e ainda tem pendências relacionadas a um mês de direitos de imagem, férias e premiações dos jogadores.
Até julho, o Corinthians acumulava déficit de R$ 278,71 milhões. Em agosto, o clube contratou um empréstimo de R$ 9 milhões junto à CBF e agora busca liberar R$ 28 milhões de uma conta reserva da Caixa Econômica Federal. O dinheiro é usado como garantia dos repasses ao banco pelo financiamento da Arena e pode ajudar o clube a honrar compromissos.
A diretoria também negocia com a estatal um novo contrato, com garantias menos rígidas. O Corinthians tem otimismo de que a questão será resolvida após as eleições no País.
O impacto de uma eventual interrupção dos repasses aparece também na estrutura de custos do futebol. O balanço patrimonial intermediário encerrado em 31 de julho de 2026 mostra que o departamento gastou R$ 283,16 milhões com despesas de pessoal nos primeiros sete meses do ano. A média mensal foi de R$ 40,45 milhões, considerando salários, encargos, direitos de imagem e bonificações.
Com esse cálculo, os R$ 12,5 milhões mensais da Esportes da Sorte equivalem a 30,9% dos custos com pessoal do futebol. O percentual sobe para 34,9% quando são retirados R$ 32,53 milhões pagos em premiações pela conquista da Copa do Brasil de 2025. Sem essa despesa extraordinária, a folha recorrente fica em R$ 35,80 milhões por mês.
A dependência também está refletida nas receitas comerciais. Entre janeiro e julho de 2026, o Corinthians arrecadou R$ 159,67 milhões em patrocínios destinados ao futebol. Do total, R$ 87,5 milhões foram pagos pela Esportes da Sorte, o equivalente a mais de 54% da receita publicitária do departamento.



