A CBF propôs reduzir o limite de jogadores estrangeiros relacionados por partida nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, e a medida foi aprovada por 37 dos 40 clubes. A mudança começa em 2027, quando o teto cairá de nove para oito atletas, e será reduzida gradualmente até chegar a cinco em 2030.
A principal justificativa apresentada pela confederação é ampliar o espaço para jogadores formados nas categorias de base. Em estudo levado aos clubes, a CBF concluiu: “Quanto mais o limite de estrangeiros subiu, menos minutos sobraram para o sub-23 brasileiro”.
Argumentos dos clubes
A maioria dos dirigentes consultados concordou com a tese, inclusive representantes de equipes que têm vários estrangeiros nos elencos. Alexandre Mattos, executivo de futebol do Santos, afirmou que o Brasil deixou de ocupar apenas o papel de formador e passou a comprar jovens atletas da América do Sul. Para ele, é necessário criar critérios para equilibrar esse cenário.
Fábio Mota, presidente do Vitória, apoiou a proposta por considerar que o clube baiano tem perfil formador. O elenco do time conta com quatro argentinos, um uruguaio e um português. O Grêmio também avaliou que a medida pode fortalecer a formação e aumentar as oportunidades para atletas da base nas equipes profissionais.
Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, classificou a quantidade de estrangeiros no país como exagerada e defendeu que a redução seja acompanhada por iniciativas de incentivo à formação. João Paulo Silva, presidente do Ceará, afirmou que os jovens precisam receber oportunidades para gerar retorno esportivo e financeiro.
A mudança era reivindicada por treinadores brasileiros. Dorival Júnior disse, quando comandava o Corinthians, que a presença maciça de estrangeiros poderia prejudicar uma geração inteira e citou a experiência da Itália em duas Copas do Mundo.
Palmeiras e Flamengo defendem outras mudanças
O Palmeiras, que tem oito estrangeiros no elenco, apoia a redução e entende que a regra pode estimular investimentos na formação. O clube também conversa com a CBF sobre mecanismos para proteger jovens do assédio de equipes europeias e defende que atletas de 16 anos possam assinar contratos de cinco anos com o time formador. Atualmente, o limite é de três anos.
Palmeiras e Flamengo ainda defendem o fim do limite de jogos no Brasileirão para transferências domésticas. Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, tentou levar a proposta à votação, mas não foi atendido. Por isso, o clube votou contra a redução do limite de estrangeiros. Bahia e Londrina também foram contrários.
A CBF prometeu avaliar a sugestão sobre as transferências internas e levar o tema a uma votação futura.
Dados apresentados pela CBF
O relatório aponta que, após 2024, o aumento do limite para nove relacionados foi acompanhado por crescimento da minutagem de estrangeiros e redução da participação de jogadores sub-23. A média atual é de 5,4 estrangeiros relacionados por jogo, 40% abaixo do limite.
Entre 2020 e 2026, os minutos em campo de estrangeiros acima de 23 anos aumentaram 3,2 vezes. No mesmo período, a minutagem dos brasileiros sub-23 caiu 59,4%.
A CBF também informou que apenas 26 de 430 equipes-partida chegaram a relacionar nove estrangeiros, o equivalente a cerca de 6%. Hoje, atletas sub-23 representam 13,8% dos minutos utilizados no Brasil, considerando brasileiros e estrangeiros. Nas principais ligas europeias, o índice fica entre 28% e 38%.



