A redução do limite de estrangeiros no futebol brasileiro foi aprovada junto com medidas para aumentar o espaço dos atletas sub-23. A proposta partiu do Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB), formado por clubes com certificado de formador emitido pela CBF.
O estudo apresentado pela CBF aos clubes, elaborado pela Opta, mostra que os jogadores com até 23 anos receberam 11,5% dos minutos disputados no Brasileirão 2026. O índice ficou abaixo do registrado nas cinco principais ligas europeias: 38% na França, 32% na Inglaterra, 31% na Espanha e 28% tanto na Alemanha quanto na Itália.
Ao mesmo tempo, os campeonatos europeus citados têm grande presença de estrangeiros. Eles representam 72% dos jogadores da Premier League, 68,6% da Serie A, 60,3% da Ligue 1, 55,2% da Bundesliga e 42,1% da La Liga.
Como as ligas europeias incentivam os jovens
Nas competições da Uefa, os clubes podem inscrever duas listas. A lista A tem 25 jogadores, sendo oito formados no país e quatro deles no próprio clube. A lista B é destinada a atletas sub-21 e não estabelece limite de inscritos.
A Premier League e a Serie A também exigem oito jogadores formados no país entre os 25 inscritos. Na Itália, quatro precisam ter sido revelados pelo próprio clube. As duas competições ainda não impõem limite de inscrição para os mais jovens: na Inglaterra, os sub-21 ficam fora da lista principal; na Itália, a regra vale para os sub-22.
Na Bundesliga, também são exigidos oito jogadores formados no país, com quatro crias do próprio clube. A La Liga não possui essa exigência, mas utiliza equipes B em divisões inferiores para dar rodagem aos atletas mais novos. Eles podem ser chamados pelo time principal sem ultrapassar o limite de 25 inscritos.
No Brasileirão, a partir do ano que vem, haverá uma cota mínima para sub-23 dentro da lista de 50 jogadores. Serão 20 em 2027, com aumento gradual até 25 em 2030.
A redução do limite de estrangeiros foi defendida pelo MCFFB dentro do Grupo de Trabalho da Base, criado pela CBF em março. O movimento apontou que o espaço dos jovens brasileiros diminuiu enquanto aumentou a participação de estrangeiros acima dos 23 anos.
Em 2020, os brasileiros sub-23 tiveram 28,5% da minutagem da Série A, contra 11,5% atualmente. Entre os estrangeiros acima dos 23 anos, o índice passou de 7,8% para 25%. Após a aprovação, o MCFFB classificou as medidas como “Um avanço importante para a formação de atletas no Brasil”.



