SÃO PAULO — Júlio Casares acionou a Justiça para contestar a expulsão do São Paulo e pedir a revisão das decisões que motivaram seu afastamento do quadro associativo. Na petição, o ex-presidente sustenta que não praticou gestão temerária e afirma que as prestações de contas de 2021 a 2024 foram aprovadas.
O pedido apresentado ao Judiciário também inclui a validação da prestação de contas relacionada ao cartão corporativo. Casares quer que o clube apresente documentos capazes de comprovar as acusações de gestão temerária e desvios de recursos. Ele afirma ainda que suas decisões foram tomadas de boa-fé e que avaliações técnicas e classificações contábeis cabiam aos departamentos especializados.
A expulsão foi aprovada pelo Conselho Deliberativo por 224 votos a favor, dois contra e cinco abstenções. Antes disso, a Comissão de Ética havia recomendado a medida. O relatório mencionou R$ 11 milhões retirados durante a gestão de Casares e apontou uso indevido do cartão corporativo.
Saques e premiações
De acordo com a defesa, os R$ 11 milhões representam uma parcela pequena diante do volume movimentado pelo São Paulo. Casares voltou a afirmar que parte do dinheiro foi utilizada para pagar premiações por títulos. A petição cita uma declaração de Rafinha, atual diretor executivo do clube, que considerou comum o recebimento de premiações em dinheiro vivo.
O montante foi acompanhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e passou a ser investigado por uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A apuração continua em andamento. Do total, R$ 7 milhões ainda não têm destinação comprovada.
As despesas do cartão corporativo chegaram a cerca de R$ 1 milhão. Desse valor, R$ 506,4 mil foram devolvidos ao clube.
Durante a passagem de Casares pela presidência, o São Paulo ganhou a Copa do Brasil pela primeira vez, em 2023, e a Supercopa Rei, em 2024. Também conquistou o Paulistão, em 2021, e a Copinha, em 2025, além de terminar como vice-campeão da Sul-Americana de 2022.
Histórico do processo
O ex-dirigente afirma ter sido vítima de uma trama política e já havia questionado o procedimento interno, alegando restrição ao direito de defesa. O relatório final da Comissão de Ética rejeitou essa versão e registrou o fornecimento de documentos financeiros, auditorias, respostas de Compliance e faturas de diferentes exercícios.
Casares presidiu o São Paulo entre 2021 e janeiro de 2026. Ele renunciou ao cargo depois de ter sido afastado pelo Conselho Deliberativo, que aprovou seu impeachment. A assembleia de sócios não chegou a ser necessária. Na Justiça, o ex-presidente também tentou suspender as investigações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, mas não conseguiu até aqui.



