A defesa de Júlio Casares classificou como político o processo que terminou com a expulsão do ex-presidente do São Paulo. Em nota, os advogados afirmaram que houve cerceamento do direito de defesa e disseram que a decisão teve “ares de perseguição”.
Casares não participou da reunião da Comissão de Ética em que poderia apresentar sua versão. Representantes do ex-dirigente alegam que ele não conseguiu obter documentos necessários para preparar a defesa e, por isso, teria sido submetido a um “processo de exceção”.
O relatório final da comissão rejeitou a justificativa. O documento afirma que foram disponibilizados materiais financeiros, auditorias, respostas de Compliance, registros de jogos e shows, regras de uso do cartão corporativo e faturas de diferentes exercícios. Também registra que a defesa reconheceu ter recebido documentos pedidos anteriormente e, depois, fez novas solicitações.
Valores analisados
A Comissão de Ética recomendou a expulsão e o ressarcimento ao São Paulo. O montante a ser devolvido ainda será calculado pelo departamento financeiro do clube e dependerá de validação do Conselho Fiscal.
Entre os pontos avaliados estão R$ 7 milhões em saques atribuídos a Casares. A quantia é investigada por uma Força-Tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público. O ex-presidente afirma que os valores foram destinados a despesas do futebol.
Também foi analisado o uso do cartão corporativo, que chegou a cerca de R$ 1 milhão. Pouco mais da metade desse valor foi reembolsada ao clube. A conduta é relacionada ao artigo 11 do estatuto, que trata de dano ou prejuízo material.
Decisão do Conselho
A votação do Conselho Deliberativo foi encerrada no fim da tarde desta quinta-feira, com 224 votos a 2 e cinco abstenções. A acusação de gestão temerária foi fundamentada no artigo 34 do estatuto social do São Paulo.
Casares havia renunciado no começo do ano, depois de ter sido afastado. A nota assinada pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski e Bruna Luppi reafirma a regularidade da atuação do ex-presidente e diz que a defesa confia no reconhecimento dessa posição pelas autoridades judiciárias.
A Comissão de Ética é formada por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja.



