RIO DE JANEIRO — Leci Brandão cantou com uma orquestra sinfônica pela primeira vez aos 82 anos. A estreia aconteceu na Praça Mauá, durante o Projeto Aquarius, em uma apresentação gratuita que também teve Emicida e a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).
A sambista foi recebida com aplausos e gritos do público. No repertório, interpretou “Só quero te namorar”, “O morro não tem vez”, “Encontros e despedidas” e “Isso é Fundo de Quintal”. O encerramento ficou para “Zé do caroço”, com Leci e Emicida dividindo os vocais.
“Vou ter que quebrar o protocolo porque é a primeira vez que canto com uma orquestra. Fiz 82 anos agora. Que maravilha”, disse Leci durante o concerto.
Do samba ao rap
Emicida entrou no palco para cantar com os cerca de 70 instrumentistas da OSB. A apresentação incluiu “Passarinhos”, acompanhada pelo público, além de “Pequenas alegrias da vida adulta”, “Quem tem um amigo tem tudo” e “AmarElo”.
“Que honra estar aqui nesta noite. Vamos fazer barulho para essa orquestra e esse maestro, senhoras e senhores. Que experiência incrível. Isso é a alma de um país”, afirmou o rapper.
Sob a regência de Carlos Prazeres, a OSB apresentou obras de Carlos Gomes, Tchaikovsky, Villa-Lobos e Ennio Morricone. A abertura foi com “Alvorada”, da ópera “Lo Schiavo”, de Carlos Gomes. Também houve a execução de “Cinema Paradiso”, do filme homônimo dirigido por Giuseppe Tornatore, de 1988.
Outro momento foi “Abraço no tempo”, arranjo de Marcelo Caldi que une a Sinfonia n°9 “Tema final”, de Beethoven, e “Oração ao tempo”, de Caetano Veloso.
Público entre museus
A plateia ocupou os arredores do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio, usando bancos de plástico, cadeiras de praia e cangas. O evento atravessou a tarde e chegou ao início da noite, com samba, rap, pop e obras eruditas no mesmo programa.
O concerto foi apresentado por Pedro Bial e Maria Fortuna. Carlos Prazeres estreou no Aquarius à frente da OSB e falou ao público sobre parte das composições. O projeto é realizado desde 1972 e foi criado para levar a música de concerto para além das salas tradicionais.
Entre os espectadores estava Idivana Laureano Lino, de 56 anos, moradora de São Gonçalo. Ela contou que só viu uma orquestra sinfônica de perto no Aquarius, em participações no ano passado e em 2023. Também acompanharam o evento Claudia Jesus, de 58 anos; Victor Garofano, de 36, com a filha Flor, de 6; Adriana Martins, de 52, com Maria Eduarda Martins, de 13, e Anne Xiang, de 19; e Lindalva Rodrigues, de 77, com cerca de 20 amigas da Penha.
O espetáculo foi apresentado pelo Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e pela Secretaria Municipal da Cultura. A realização também teve participação do Ministério da Cultura.



