RIO DE JANEIRO — A Praça Mauá recebeu uma plateia formada por diferentes gerações para o Projeto Aquarius, que reuniu Leci Brandão, Emicida e a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Com o tema “A música e o tempo”, o concerto aproximou obras clássicas, samba e rap em um evento gratuito no Centro do Rio.
A diarista Idivana Laureano Lino, de São Gonçalo, enfrentou dois ônibus e mais de duas horas de viagem para chegar ao local. Aos 56 anos, ela saiu de casa ao meio-dia e acompanhou sua terceira edição do Aquarius. Antes, havia assistido ao encontro entre Belo e a OSB, em 2023, na Marquês de Sapucaí, além da edição do ano passado.
“Não dá. E aqui é bom porque juntam todos os estilos”, afirmou Idivana, que assistiu pela primeira vez a Leci Brandão de perto. A sambista, aos 82 anos, também viveu uma estreia: foi sua primeira apresentação com uma orquestra sinfônica.
Sob regência de Carlos Prazeres, cerca de 70 músicos passaram por compositores como Carlos Gomes, Tchaikovsky, Villa-Lobos e Ennio Morricone antes de acompanhar Leci e Emicida. O programa incluiu “Abraço no tempo”, arranjo de Marcelo Caldi que uniu a Sinfonia nº 9, de Beethoven, a “Oração ao tempo”, de Caetano Veloso.
Pais, filhos e novas descobertas
Morador de Padre Miguel, Diego de Souza levou o filho Theo, de 9 anos, ao Centro. Antes do concerto, os dois passaram pela Praça XV e pelo Museu do Amanhã. O pai queria apresentar ao menino o trabalho de Emicida, que considera um de seus artistas favoritos.
Pai e filho acompanharam versões sinfônicas de “Passarinhos”, “Pequenas alegrias da vida adulta”, “Quem tem um amigo tem tudo” e “AmarElo”. Emicida chamou a experiência de uma aproximação entre diferentes partes do país por meio da cultura.
No público, o pesquisador Victor Garofano, de 36 anos, levou a filha Flor, de 6. Ele já havia assistido a vários shows do rapper; para a menina, aquela era a primeira vez diante de uma orquestra completa. Emicida já fazia parte da rotina dos dois por meio dos livros infantis lidos em casa.
A aposentada Lindalva Rodrigues, de 77 anos, chegou com cerca de 20 amigas da Penha, na Zona Norte. Já Beatriz Sant’Angelo, moradora do Centro, foi caminhando até a Praça Mauá com a amiga Mariana. Para ela, o show de Emicida era uma estreia.
Mistura de estilos no palco
Moradora de Magé, Lúcia Bento acompanhou o evento com o marido. Aluna do coral do Museu do Amanhã, ela definiu o programa como um encontro entre cultura e música. Adriana Martins esteve com a filha Maria Eduarda, de 13 anos, e a sobrinha Anne Xiang, de 19. As três foram principalmente para ver Emicida, mas Adriana também destacou a união entre a música erudita e a popular.
Leci Brandão cantou “Só quero te namorar”, “O morro não tem vez”, “Encontros e despedidas” e “Isso é Fundo de Quintal”. Também participou de “Zé do Caroço” ao lado de Emicida. O rapper iniciou sua apresentação com “Passarinhos”, música gravada originalmente com Vanessa da Mata.
A OSB teve momentos de protagonismo, com explicações de Carlos Prazeres sobre as obras antes da execução. Em “Alvorada”, de Carlos Gomes, o maestro apresentou ao público como os instrumentos representavam diferentes momentos do dia, incluindo o canto dos pássaros.
Criado em 1972, o Aquarius tem a proposta de levar a música de concerto para além das salas tradicionais. Na Praça Mauá, a apresentação colocou lado a lado crianças diante de uma orquestra pela primeira vez, admiradores de Emicida, frequentadores de concertos e moradores que acompanharam Leci Brandão ao longo de suas trajetórias.


