RIO DE JANEIRO — O estado do Rio de Janeiro tem 537 bens culturais desaparecidos registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O número coloca o estado em segundo lugar no país, que soma 1.749 itens perdidos no Banco de Bens Culturais Procurados.
Entre os objetos buscados estão esculturas de anjos e crucifixos de madeira envernizada do século XIX, arandelas do século XVIII, castiçais dourados e tocheiros. Parte desse acervo pertence a igrejas do território fluminense.
Peças recuperadas em Portugal
Quatro tocheiros monumentais e uma cruz de prata foram localizados pela Polícia Judiciária de Lisboa. As peças haviam sido furtadas do altar-mor da Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no centro do Rio, e trazem a marca JOC, usada pelo ourives e prateiro José de Oliveira Coutinho.
A investigação começou após uma denúncia anônima encaminhada ao Fala.BR, órgão da Controladoria-Geral da União (CGU). A Polícia Federal comunicou a suspeita à Interpol, que informou as autoridades portuguesas. Os objetos foram encontrados em uma loja que reunia atividades de antiquário e casa de leilões.
O delegado Marcos Nizio, da Superintendência da PF de Brasília, afirmou que a Polícia Judiciária de Lisboa concluiu que o vendedor não sabia a origem das peças. Claudio André de Castro, provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, disse que ainda há dezenas de objetos desaparecidos.
Castro calcula que o furto tenha ocorrido entre 1947 e meados dos anos 1980, mas não consegue precisar a data. A Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é tombada desde 1938. Atualmente, os itens mais valiosos ficam guardados na Casa Forte e só são retirados para cerimônias litúrgicas.
Inventários e outros bens procurados
A Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, fundada em 1755 e fechada há sete anos, aparece com pelo menos 35 objetos sacros na relação do Iphan. O instituto informa que o imóvel reúne bens furtados em um contexto ligado a obras realizadas na década de 1990.
De acordo com o Iphan, os dados do banco são atualizados por pesquisas em inventários e pelo cruzamento de informações. Por isso, os números são parciais.
Marcus Monteiro, historiador, ex-presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e secretário de Cultura de Nova Iguaçu, afirma que atualmente existem mais de dois mil itens inventariados. O trabalho de contabilização começou em 2004 e inclui áreas como o interior, o centro do Rio, Irajá e Inhaúma, a Região dos Lagos, a Região Sul Fluminense e a Baixada Fluminense.



