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Galeão criou base técnica que ajudou a formar a indústria aeronáutica brasileira

Antes da Embraer, a fábrica produziu 471 aeronaves e qualificou profissionais em acordos com Alemanha, Estados Unidos e Holanda.

Galeão criou base técnica que ajudou a formar a indústria aeronáutica brasileira
Foto: Foto Arquivo/Agência O Globo

A transferência de tecnologia e a formação de profissionais foram os principais legados da Fábrica de Aviões do Galeão, criada no Rio antes da Embraer. Em 29 anos de funcionamento, entre idas e vindas, a unidade produziu 471 aeronaves e ajudou o Brasil a desenvolver conhecimento para projetar, montar e revisar aviões.

Da manutenção à produção

A origem da fábrica está ligada à Ponta do Galeão, na Ilha do Governador, escolhida na década de 1920 para receber a aviação naval brasileira. Naquele período, Marinha e Exército operavam os aviões das Forças Armadas. Entre 1927 e 1935, a Aviação Naval comprou 143 aeronaves, enquanto a Aviação do Exército adquiriu outras 554.

Em janeiro de 1935, porém, 60 aeronaves da Aviação Naval estavam paradas, e somente um terço da esquadrilha do Exército tinha condições de operar. A falta de capacidade técnica para manter os aviões importados levou a Marinha a enviar aos Estados Unidos uma equipe chefiada pelo oficial aviador Raymundo Vasconcellos Aboim. A tentativa não avançou: a viagem foi descrita como uma decepção pelo comandante Orlando Marques da Silva.

A alternativa encontrada foi um acordo com a fabricante alemã Focke-Wulf Flugzeugbau. A negociação previa treinamento de trabalhadores e transferência de tecnologia. Os primeiros técnicos alemães chegaram ao Rio no segundo semestre de 1936, sob a chefia de Wilhelm Heinrich Friedrich Stein, para capacitar profissionais brasileiros.

Acordos estrangeiros e produção nacional

A unidade foi criada com o nome de Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAvN). Em 1938, iniciou a fabricação dos primeiros FW 44 Stieglitz, conhecido como Pintassilgo, usado no treinamento militar. Também saiu da linha de montagem o bombardeiro bimotor FW 58 Weihe.

A parceria com a Alemanha foi interrompida depois que o regime nazista invadiu a Polônia, em 1939, e o Brasil rompeu relações com os alemães após entrar na Segunda Guerra Mundial, em 1942, ao lado das tropas aliadas. A produção continuou com os Estados Unidos, que participaram da segunda fase da fábrica.

Nesse período, o Galeão fabricou o Fairchild M-62 (PT-19), chamado de Cornell. Mais tarde, a Holanda entrou no projeto por meio da Fokker. Dessa etapa, saiu o S.11 (T-21), avião de treinamento básico de pilotos que voou pela primeira vez em 1947.

Profissionais que seguiram para a Embraer

A experiência acumulada na fábrica também alcançou instituições que vieram depois. Muitos profissionais que trabalharam no Galeão integraram equipes do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e, posteriormente, da Embraer. Wilhelm Heinrich Friedrich Stein, naturalizado brasileiro em 1951, participou do grupo fundador da empresa em 1969.

Para a historiadora Thatiane Piazza de Melo, do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), a fábrica introduziu processos industriais, técnicas de engenharia, controle de qualidade e métodos de produção que ainda não faziam parte da rotina da indústria nacional.

O Museu Aeroespacial (Musal), no Campo dos Afonsos, mantém exemplares ligados às diferentes fases da unidade. Entre eles estão um Fairchild M-62 produzido no Galeão em 1942 e um S.11 (T-21). O museu também possui um exemplar do FW 44 produzido na Argentina, em 1932, além de um FW 58 que está em manutenção e fora de exposição no momento.

O comandante Pedro Canabarro, piloto e membro da Comissão de História da Aviação da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac), avalia que a formação de profissionais qualificados criou uma base de conhecimento técnico e de mão de obra especializada para o desenvolvimento posterior do setor aeronáutico brasileiro.

Texto produzido pela Redação Giro da Torcida com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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