A perda de credibilidade no Brasil aparece também no futebol, dentro e fora de campo. A discussão sobre a convocação de Neymar para a Copa divide torcedores, enquanto outros debates públicos envolvem Vorcaro e Mounjaro. Nesse ambiente, remédios, denúncias, suposições e vazamentos se misturam às esferas privada e pública.
A arbitragem é apresentada como um dos pontos mais afetados. O uso de mais câmeras e computadores tornou os erros mais visíveis, ao mesmo tempo em que aumentou a dificuldade de conduzir partidas rápidas, intensas e marcadas pelo contato. A análise das jogadas também esbarra na interpretação das 17 regras do futebol, que não são aplicadas de maneira completamente objetiva.
O texto associa essa dificuldade à atuação de diferentes personagens do esporte e das instituições, incluindo torcedores, árbitros, auditores do STJD e ministros do STF. A avaliação é que qualquer interpretação pode ser contestada, em um cenário no qual a tecnologia não elimina a subjetividade das decisões.
Outro alvo é a frase eu não preciso provar mais nada pra ninguém. A crítica é direcionada a atividades que exigem resultados e um conjunto cada vez maior de amostras para comprovar competência, inclusive em situações banais do cotidiano digital.
A desconfiança também aparece na administração de clubes e poderes. Há suspeitas sobre esquemas em várias situações, com exceção das envolvendo o próprio time. Em campanhas eleitorais, propostas de trabalho, planos e governança perdem espaço para disputas ligadas à família dos candidatos e aos atos de parentes.
O cenário inclui ainda recuperações judiciais e associações sem fins lucrativos que passaram a conviver com questionamentos sobre seus objetivos. No fim, a reflexão retorna ao futebol por meio de Manuel Sérgio: “quem só sabe de futebol, nem de futebol sabe”.



