RIO DE JANEIRO — As escolhas nas urnas foram tratadas como parte decisiva do futuro do país por eleitores ouvidos no Largo da Carioca. A banca da Madame Ema Jurema convidou o público a imaginar como estará o Brasil daqui a quatro anos, em uma iniciativa inspirada na previsão de uma astróloga sobre a chegada de Ricardo Couto ao governo do Rio.
As respostas passaram por saúde, educação, emprego, alimentação, violência, impostos, cultura, benefícios e programas sociais. Também houve cobranças sobre a atuação de senadores, deputados e prefeitos, além do presidente, na condução do país.
Entre esperança e desconfiança
A cabeleireira Neuza de Matos, de 69 anos, afirmou acreditar em uma melhora. Ela defendeu maior valorização dos trabalhadores e mais oportunidades para o microempreendedor individual. Como é MEI, também pediu parcelas mais baratas.
Julia Stecklow, ilustradora autônoma de 27 anos, avaliou que quatro anos podem não bastar para alterar problemas já enraizados no Brasil. Para ela, a população não deve concentrar a responsabilidade apenas na Presidência, porque os demais cargos eleitos também influenciam o caminho do país.
Fernando da Conceição, vigilante de 57 anos, citou o aumento do custo de vida, a violência, a saúde e os impostos. Disse não confiar nos políticos e contou que vota nulo há quatro eleições. Ainda assim, considera possível iniciar uma melhora no período.
Paulo Santana, jornalista de 65 anos, apresentou cenários diferentes conforme o grupo político no poder. Em uma hipótese, afirmou que a cultura perderia espaço e o país poderia voltar ao mapa da fome. Na outra, projetou mais filhos de famílias pobres na faculdade, crescimento e a saída desse mapa.
Críticas à política e ao cotidiano
A aposentada Carla Guedes, de 71 anos, criticou mudanças em taxas e apostas e declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Ela também mencionou o terceiro Desenrola e defendeu a ajuda a quem precisa, com prioridade para medidas que ampliem a autonomia dos beneficiários do Bolsa Família.
Sidney Marcos, aposentado de 67 anos, pediu o fim do foro privilegiado e mudanças nas escolas para ampliar as chances de estudantes pobres no Enem. Também criticou a disputa política entre Bolsonaro e Lula e defendeu renovação.
Mayara Silva, auxiliar de loja de 23 anos, relacionou o futuro à qualidade da gestão. Ela citou dificuldades de empregabilidade, alimentação e benefícios, além de ter ficado quase quatro anos sem trabalho antes de conseguir uma vaga.
Walter Teixeira, auxiliar de escritório de 57 anos, desejou um futuro melhor para o comércio, a população de rua e os ambulantes. Ele citou desemprego e desarmonia, mas disse manter esperança sem transformar sua expectativa em previsão.
Além da Presidência, os fluminenses elegerão governador, dois senadores, 46 deputados federais e 70 deputados estaduais em outubro.



