RIO DE JANEIRO — A operação das barcas para Paquetá foi reforçada com dez viagens extras, mas o desfile do bloco Boto Marinho não tem autorização dos órgãos municipais nem liberação das forças de segurança. A previsão de público informada pelos organizadores é de cerca de sete mil foliões.
A Secretaria estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) confirmou o planejamento adicional para atender à demanda prevista. Em outra frente, a Riotur e a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) afirmaram que não receberam pedido de autorização e que vão atuar para impedir o cortejo.
O Corpo de Bombeiros informou que não foi comunicado e que não existe processo em tramitação na corporação sobre a liberação do evento. A Polícia Militar também disse não ter sido procurada e afirmou que “não há qualquer autorização ou liberação concedida”.
Mobilização em Paquetá
Moradores da ilha criaram a petição digital “Diga não ao Boto”, publicada na plataforma change.org. Até a noite de ontem, o abaixo-assinado reunia mais de 750 assinaturas, com meta de mil. O documento pede o cancelamento do desfile e a proibição de viagens adicionais de barcas.
Os moradores também recorreram ao Ministério Público do Rio (MPRJ). Eles afirmam que a realização pode afetar a ordem pública e citam problemas registrados em março, quando o bloco levou mais de 15 mil pessoas à ilha, além de superlotação dos postos médicos e invasão de propriedade.
“Não sou contra bloco. Sou contra, numa ilha com limites geográficos fechados, um evento que coloca 15 mil pessoas, quatro vezes mais o número de moradores”, disse o professor aposentado Ricardo Montenegro, de 68 anos.
Percurso previsto
Criado em 2017, o Boto Marinho costuma fazer duas edições de verão, em dois domingos depois do carnaval, e uma de inverno, no início de setembro. Os foliões saem da Praça Quinze antes das 7h e se concentram na Praça Pintor Pedro Bruno, em Paquetá.
Por volta das 9h, o cortejo segue pela Praia da Moreninha, retorna na Praça São Roque e termina no ponto inicial. A dispersão está prevista para ocorrer por volta das 18h.
O fundador do bloco, Danilo Firmo, afirmou que não foi notificado sobre o cancelamento. Ele acusa os críticos de tentar “criminalizar a cultura”.




