A regulamentação das apostas esportivas é defendida como forma de proteger torcedores, clubes e o próprio futebol sem entregar o mercado a plataformas clandestinas. A proposta envolve fiscalização, rastreamento das operações e mecanismos para limitar o comportamento compulsivo.
O risco de uma proibição total é transferir o dinheiro para empresas de outros países e sites ilegais. A estimativa é de que uma bolada possa chegar a R$ 73 bilhões, valor que o país deixaria de arrecadar em impostos ao longo de quatro anos de atividade regulada. Quase 45% das apostas já são feitas em sites ilegais, percentual que poderia alcançar 100% em um cenário de desregulamentação ou proibição.
Dinheiro movimentado e proteção ao apostador
Em seis meses de 2026, as bets geraram R$ 2,5 bilhões para políticas públicas, mesmo com a redução do consumo e de outras atividades econômicas. No período, 83% do dinheiro aplicado foram devolvidos aos apostadores.
A dependência, porém, é tratada como um problema de saúde e de impacto familiar. A estimativa é de que 0,46% da renda familiar seja destinada às apostas. Isso não significa que toda a dívida dos brasileiros tenha origem nesse tipo de jogo.
Nas primeiras duas semanas de Copa, mais de 250 mil apostadores solicitaram o bloqueio das próprias contas. O mecanismo, contudo, pode ser insuficiente quando a pessoa busca outra plataforma para continuar apostando. Uma alternativa seria vincular as operações ao mesmo CPF, permitindo apostas em apenas um lugar, além do envio de extratos e notificações a terceiros.
Publicidade e dependência
A Premier League decidiu impedir patrocínios de bets na parte da frente das camisas. No Campeonato Inglês, entretanto, as marcas ainda podem aparecer nas mangas e nas placas publicitárias ao redor do campo.
O debate também recupera medidas adotadas em outras áreas. Dutra fechou os cassinos em 1946, enquanto a publicidade de cigarro deixou de existir há 30 anos. A ludopatia é apresentada como um vício capaz de atingir pessoas e famílias, assim como o álcool e outras dependências.
A defesa da regulamentação não significa ignorar os danos. O futebol pode continuar existindo sem depender das bets, mas o jogo seguirá acontecendo. Por isso, a proposta é criar regras, preservar a integridade esportiva e evitar que a repressão empurre o mercado para a clandestinidade.



