RIO — A nova regra da CBF para limitar estrangeiros no Campeonato Brasileiro não convenceu Dejan Petkovic de que o futebol brasileiro resolverá seus problemas de formação. O ex-jogador sérvio defende uma discussão sobre metodologia, desenvolvimento e critérios para revelar talentos, além de questionar a forma como atletas sul-americanos são classificados no país.
Atualmente, os clubes podem relacionar nove estrangeiros por partida nas competições da CBF. A quantidade será reduzida gradualmente até 2030, quando o limite chegará a cinco. A proposta foi apresentada com o objetivo de abrir espaço para jogadores das categorias de base.
Para Petkovic, porém, a prioridade excessiva ao resultado interfere no desenvolvimento dos jovens. Ele afirma que, na base, jogadores mais altos e fortes acabam sendo escolhidos, enquanto outros aspectos da formação deixam de ser trabalhados. Na avaliação do ex-atleta, conceitos, filosofia e educação esportiva precisam fazer parte do processo.
“A formação começa a partir de 12 anos”, afirmou Petkovic, ao citar o modelo adotado na Espanha. Para ele, o desempenho apresentado em campo deve ser mais importante do que a origem do jogador.
O ex-jogador também relaciona as deficiências da formação à saída precoce de talentos brasileiros. Segundo Pet, clubes europeus contratam atletas aos 18 anos para concluir o desenvolvimento dentro de suas próprias estruturas. Depois de três anos, esses jogadores passam a ser considerados formados localmente e deixam de entrar na mesma categoria de estrangeiros.
Petkovic ainda questiona a aplicação da regra a atletas de países do Mercosul. Ele cita os acordos econômicos do bloco e pergunta por que argentinos e uruguaios deveriam ser tratados como estrangeiros no Brasil. Também lembra que um estrangeiro que trabalha no país por quatro anos pode ter direito à naturalização.
O ex-jogador considera que o regulamento precisa ser reavaliado com frequência e adaptado à realidade brasileira, em vez de apenas reproduzir normas de Inglaterra, Alemanha ou Espanha. Ele também pondera que a mudança proposta pela CBF pode não ter longa duração, já que os limites foram alterados ao longo dos anos.
Petkovic mora no Brasil de forma praticamente ininterrupta desde 1997, quando chegou ao Vitória, da Bahia. Ídolo do Flamengo, é o estrangeiro com mais jogos na história do Campeonato Brasileiro, com 271 partidas. Apesar de manter a cidadania sérvia, afirma que não se considera estrangeiro há muito tempo.



