A disputa financeira entre N Sports e SBT envolve dois valores apresentados pelas próprias empresas. A N Sports cobra R$ 15,7 milhões, enquanto o SBT afirma que a parceira tem uma pendência de quase R$ 6 milhões. A emissora informou que não vai se manifestar porque ainda não foi intimada. A N Sports confirmou o conteúdo da ação.
O caso também levou Galvão Bueno a avisar que pode deixar a sociedade com a N Sports. Em carta enviada a executivos do SBT em 2 de setembro, o apresentador afirmou que desistiria de integralizar sua participação na empresa caso a divergência chegasse à Justiça. A ação foi apresentada em 11 de setembro.
A estrutura do acordo
A Copa do Brasil do ciclo de 2027 a 2030 teve os direitos comprados por US$ 25 milhões, equivalentes a R$ 136 milhões na época da aquisição. A negociação foi feita com a Livemode, dona da CazéTV, que adquiriu o pacote completo e repassou parte dos direitos ao SBT e à N Sports.
O contrato estabelecia que o SBT ficaria com 74% das receitas e dos custos relacionados à competição. A N Sports teria os 26% restantes. Os percentuais abrangiam valores diretos ou indiretos.
Na petição, a N Sports sustenta que o SBT reconheceu parte dos débitos, mas não respeitou novos rateios. A empresa diz que o valor de R$ 15,7 milhões é conservador porque considera apenas quantias admitidas formalmente pela parceira. A dívida total, segundo a N Sports, pode ser maior.
Pagamentos e novos rateios
Em 15 de outubro de 2025, a OLA Sports entrou no projeto para fazer o depósito de US$ 15 milhões para a Livemode. A empresa é ligada a André Barros, um dos líderes da N Sports. De acordo com a ação, o pagamento permitiu que o SBT não precisasse fazer desembolso para a Fifa no ano passado.
Um aditivo assinado em 19 de maio de 2026 registrou os problemas nos repasses financeiros. Segundo a N Sports, o SBT admitiu ter ficado com 91% da verba, em vez dos 74% previstos, o que gerou uma dívida de R$ 17,1 milhões.
A primeira parcela, de R$ 3,4 milhões, foi paga em 10 de agosto. A segunda venceu em 10 de setembro e não foi quitada, deixando R$ 13,7 milhões em aberto.
Depois, o SBT enviou uma prestação de contas sobre cotas publicitárias exibidas durante a Copa. A N Sports afirma que o documento apontou mais R$ 2 milhões em débitos, relacionados a inserções avulsas e campanhas da Shopee e do Atacadão.
A tabela anexada pelos advogados da N Sports teria sido enviada pelo próprio SBT durante as negociações. O material registra a parcela de R$ 3,4 milhões não paga e os R$ 2 milhões dos novos rateios, além da cobrança de R$ 6 milhões contra a N Sports.
A posição de Galvão Bueno
Galvão disse ao SBT que não concordava com a estratégia adotada para tratar dos resultados comerciais da Copa. Para ele, divergências entre parceiros deveriam ser resolvidas por negociação, e não por uma ação judicial.
“Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática”, escreveu o apresentador ao tratar das notificações extrajudiciais enviadas ao SBT, às agências e aos clientes.
A saída de Galvão do quadro societário ainda não foi formalizada. A N Sports explicou que o rompimento depende do desfecho de sua participação no negócio e da decisão anunciada pelo apresentador na carta.



