A CBF anunciou a venda dos direitos de transmissão da Copa do Brasil e da Supercopa para Globo, Amazon e ESPN. O acordo será válido de 2027 a 2030 e foi fechado por R$ 4 bilhões, o equivalente a R$ 1 bilhão por ano.
A entidade afirmou que o negócio representa “a maior negociação de direitos da história do futebol brasileiro”. O cálculo considera a receita por partida: a Copa do Brasil terá 155 jogos em 2027, enquanto o Campeonato Brasileiro conta com 380. A CBF também utiliza estimativas para contratos aos quais não tem acesso formal.
Livemode não foi chamada
A Livemode, proprietária da CazéTV, foi a única empresa com atuação no mercado brasileiro que não participou das negociações. A CBF entende que há conflito de interesses porque a empresa presta assessoria comercial a clubes, tem atuação formal na estrutura da FFU e também compra direitos esportivos.
A Livemode, por sua vez, avalia que não teria interesse em adquirir novos direitos mesmo se tivesse sido convidada. A empresa comprou recentemente direitos de ligas europeias, incluindo Premier League, LaLiga, Ligue 1, Serie A e Bundesliga, que serão exibidas pela CazéTV.
O material distribuído sobre o processo lista Globo, SBT, Record, Disney, Warner, Paramount, Jovem Pan, N Sports e YouTube entre os players consultados. A Livemode não aparece na relação.
Cinco pacotes para a competição
A CBF negociou diretamente com as empresas, em vez de adotar o modelo de concorrência com propostas em envelopes fechados usado pela Conmebol. A negociação direta permitiu maior flexibilidade na montagem dos pacotes de jogos.
A divisão ficou assim:
- Pacote 1, de TV aberta: Globo;
- Pacote 2, multiplataforma: SporTV, Premiere e GE TV;
- Pacote 3, multiplataforma: Amazon e ESPN;
- Pacote 4, de highlights: GE TV;
- Pacote 5, internacional: em negociação.
Os pacotes 2 e 3 têm a mesma quantidade e qualidade de partidas. A diferença está na ordem de escolha dos jogos. Em uma temporada, a Globo escolherá primeiro as partidas para SporTV, Premiere e GE TV, enquanto Amazon e ESPN terão a segunda escolha. No ano seguinte, a prioridade será invertida.
CBF assume produção das imagens
No ciclo de 2027 a 2030, a confederação terá estrutura própria para produzir as imagens das partidas. Até então, as emissoras custeavam o serviço e tinham autonomia técnica e comercial sobre o conteúdo exibido.
A estimativa atual é de que a nova operação custe entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por temporada. Com o controle da produção, a CBF pretende padronizar a identidade visual da Copa do Brasil e inserir patrocinadores próprios em vinhetas e no relógio exibido no topo da tela.
A mudança também deve ampliar a quantidade de partidas transmitidas pela televisão. Durante as negociações, emissoras relataram falta de interesse em enviar equipes para determinadas praças, principalmente nas fases iniciais, quando o custo da produção não seria compensado.
Pelo novo contrato, as empresas terão de aumentar o número de transmissões. A competição passará de sete ou oito jogos exibidos nos últimos quatro anos para pelo menos 14 partidas por temporada na televisão aberta, a partir de 2027.
Além disso, a CBF encerra o modelo em que a Globo comprava os direitos como única adquirente e depois os sublicenciava a concorrentes, como a Amazon. No novo formato, a relação será direta entre a dona dos direitos e cada compradora.
Comparação com a Libertadores
A CBF também apresentou ao mercado argumentos para defender que a Copa do Brasil tem valor comercial superior ao da Libertadores. A confederação destacou a presença recorrente dos clubes de maior torcida na competição nacional: todos participam da Copa do Brasil em cada temporada, enquanto apenas Flamengo e Palmeiras estiveram em todas as edições recentes da Libertadores.
Outro argumento foi a quantidade de clássicos nacionais e o caráter decisivo de todas as rodadas da Copa do Brasil. Na Libertadores, 66% dos jogos ficam concentrados na fase de grupos e 34% no mata-mata.
A comparação, porém, considera apenas os valores referentes ao mercado brasileiro. A CBF não tem acesso formal ao contrato da Conmebol e usa cifras obtidas extraoficialmente no mercado. A estimativa de que a Libertadores gera R$ 900 milhões por ano leva em conta apenas a participação do Brasil na receita, sem os valores agregados por outros países sul-americanos.



