RIO DE JANEIRO — Emiliano Tolivia cresceu torcendo pelo Fluminense e herdou do pai, Julio Oscar Tolivia, a ligação com o Platense, da Argentina. O encontro entre os dois clubes, pelas quartas de final da Libertadores, transformou em realidade uma possibilidade que durante anos parecia distante para o jornalista.
Apesar da relação afetiva com o time argentino, Emiliano afirma que não terá o coração dividido no duelo. Ele diz que ficará chateado se o Fluminense perder e só passará a torcer pelo Platense caso o clube argentino avance na competição.
A herança do pai
Julio Oscar chegou ao Brasil com a esposa, Márcia, em 1976, quando o Fluminense vivia a época da Máquina Tricolor. O pai de Emiliano acompanhou jogadores como Rivelino e Paulo César Caju e acabou se encantando pelo clube brasileiro. A semelhança entre os finais dos nomes Platense e Fluminense também ajudou na aproximação.
O pai era torcedor do Platense, assim como os três irmãos mais novos. Sem internet, ele tinha dificuldade para acompanhar os resultados do clube argentino e precisava telefonar para os familiares quando conseguia, já que as ligações para a Argentina eram caras.
Emiliano acompanhou partidas do Fluminense ao lado do pai no Rio de Janeiro. Julio morreu quando o filho tinha 13 anos. O último presente foi uma camisa branca e marrom do Platense, peça que o jornalista guarda como símbolo da relação entre os dois. Ele também conserva a carteirinha de sócio do pai.
Depois de ver o Platense ficar fora da primeira divisão nacional por 22 anos, Emiliano se emocionou com o título inédito do Apertura do Campeonato Argentino de 2025. O jornalista imaginou como seria assistir ao confronto com o pai no Maracanã, em uma cadeira especial.
A ligação com o futebol argentino também aparece em uma lembrança de 1989, quando pai e filho foram ao jogo entre Brasil e Argentina pela Copa América. Julio torcia pela Argentina, mas comemorou sem jeito o gol de Bebeto para a seleção brasileira.
Hoje, Emiliano tenta passar essa herança aos filhos gêmeos Julio e Miguel, de 3 anos. Os meninos já entraram em campo com jogadores no Maracanã e frequentam a sede de Laranjeiras. A mãe, Marina, é botafoguense, mas o pai apresenta o Platense como o time do avô e mantém o incentivo às cores verde, branco e grená do Fluminense.



