LOS ANGELES — Um colecionador quase comprou por quatro mil dólares um aspirador de pó quebrado, acreditando que o equipamento fosse uma escultura conceitual exposta na Merino Gallery, nos Estados Unidos.
O aspirador estava próximo de outras obras minimalistas, com fios emaranhados e o compartimento rachado. A disposição fez o visitante imaginar que o objeto integrava a mostra de arte contemporânea. Ele procurou representantes da galeria, iniciou a negociação e chegou a discutir o preço do artefato.
A situação só foi esclarecida quando o comprador pediu informações sobre o artista e o certificado de autenticidade. Um funcionário reconheceu o equipamento como parte do material usado pela equipe de limpeza. O aspirador havia quebrado mais cedo naquele dia e sido deixado no local enquanto aguardava o descarte.
A venda acabou cancelada, e o objeto foi retirado da exposição. O episódio repercutiu entre os visitantes e voltou a levantar discussões sobre os limites entre a arte e objetos do cotidiano.
Obras confundidas com lixo
Casos semelhantes já ocorreram em outras exposições, inclusive na situação inversa: obras legítimas foram confundidas com lixo e descartadas por engano.
Em 2024, um funcionário de um museu na Holanda jogou fora o que imaginava serem duas latinhas de cerveja. Na verdade, tratava-se da instalação “All The Good Times We Spent Together”, do artista Alexandre Lavet. A curadoria conseguiu recuperar a obra dentro da lata de lixo e devolvê-la à exposição.
Em 2001, uma situação parecida ocorreu na Eyestorm, galeria de Londres. A equipe de limpeza encontrou uma mesa desorganizada, com garrafas de cerveja, copos de café vazios e bitucas de cigarro, e descartou todo o conjunto. O material, porém, era uma obra de Damien Hirst.
Os expositores recolheram as peças e reconstruíram a instalação com base em fotos da versão original.



