A CBF pretende aumentar gradualmente o número de atletas sub-23 que podem ser inscritos entre os 50 profissionais aptos a entrar em campo no Brasileirão. A medida faz parte do plano aprovado pelos clubes para reduzir a presença de jogadores estrangeiros e estimular o uso das categorias de base.
A proposta de ampliar o espaço para jovens surgiu no grupo responsável por discutir o futuro do futebol de base. Helder Melillo, secretário-executivo da CBF, é o relator do grupo de trabalho.
O limite de estrangeiros começará a cair a partir de 2027. A previsão aprovada estabelece que cada equipe poderá utilizar cinco atletas de fora do país a partir de 2030. A ideia começou a ser desenhada em fevereiro de 2025, quando se discutia inicialmente uma trava de seis jogadores por time.
Formação e saída precoce de talentos
O plano teve participação da direção e da comissão técnica da seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti. O treinador acompanha a dificuldade de encontrar jogadores prontos para a renovação da equipe depois da Copa do Mundo de 2026. Nos amistosos contra Austrália e Índia, oito dos 26 convocados eram estreantes, embora a expectativa fosse por um número maior.
A derrota para a Noruega nas oitavas de final da Copa de 2026, na pior campanha brasileira desde 1990, acelerou a discussão dentro da CBF. A avaliação é que existem problemas na formação, especialmente no meio de campo, enquanto os jogadores mais talentosos deixam o país cedo demais.
Endrick saiu do Palmeiras para o Real Madrid em 2024. Estêvão está há um ano no Chelsea e perdeu espaço após a chegada do técnico Xabi Alonso. Para o grupo de trabalho, os clubes concentram investimentos na formação de jogadores de ataque, principalmente pontas, porque esses atletas são vendidos por valores maiores. Com menos vagas para estrangeiros nessas posições, a expectativa é que as equipes recorram mais à base.
Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a proposta. Esses clubes argumentaram que a redução pode diminuir o nível técnico do Brasileirão e afetar as receitas comerciais da competição e as premiações em torneios internacionais. Também há preocupação com o domínio brasileiro na Libertadores, vencida por equipes do país nas sete últimas edições.
Como possível compensação, a CBF deve discutir ainda em 2027 o fim do limite de 12 partidas para que um jogador atuando no Brasileirão possa se transferir para outro clube da mesma divisão. A mudança daria mais flexibilidade à montagem dos elencos. A proposta foi apresentada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, e recebeu apoio público de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras.



