SÃO PAULO — A permanência de Osmar Stábile como possível candidato à presidência do Corinthians está entre os efeitos em discussão na Assembleia Geral Extraordinária marcada para este sábado, 19. Os associados votarão mudanças no estatuto do clube das 9h às 17h, na sede social do Parque São Jorge, na zona leste da capital.
A reunião foi autorizada após uma decisão judicial. Em 11 de setembro, o juiz Rafael Viotti Schlobach, da 3ª Vara Cível do Tatuapé, considerou legítima a votação individual dos pontos da reforma pelo Conselho Deliberativo e manteve a realização da assembleia. O magistrado proibiu alterações de última hora no texto das propostas ou nas cédulas entregues aos sócios.
Regra que pode afetar Stábile
O estatuto atual proíbe a reeleição para a presidência no parágrafo 2º do artigo 103. Outra regra, no parágrafo 4º, permite que um dirigente que assumiu o cargo após uma vacância dispute a eleição seguinte, desde que tenha ficado no posto por até 18 meses.
A divergência está no início da contagem desse prazo: se ele considera o período de interinidade ou somente o intervalo posterior à posse definitiva. Stábile assumiu a presidência em maio de 2025, depois do impeachment de Augusto Melo, e foi aclamado para cumprir um mandato-tampão em agosto.
A proposta de reforma, concluída no fim de fevereiro deste ano, estabelece no artigo 67-A um limite de 12 meses antes da nova eleição para dirigentes que assumem cargos eletivos após vacância. Uma regra transitória, porém, determina no artigo 142-C que essa restrição não vale para vacâncias anteriores à aprovação do novo estatuto. Com isso, a candidatura de Stábile poderia ser mantida, embora ele ainda não tenha definido se concorrerá.
Pontos em votação
Os associados poderão aprovar, rejeitar ou se abster em relação a 11 temas. A pauta inclui a concessão de voto a integrantes do programa Fiel Torcedor, a adoção de eleições em dois turnos e a redução da carência para votar para três anos.
Também serão analisadas a redução do Conselho Deliberativo para 200 membros, com 150 eleitos e 50 vitalícios, e a eleição de conselheiros por candidaturas individuais, com cada associado podendo escolher até cinco nomes.
A reforma ainda prevê mudanças na composição do Conselho de Ética, a limitação dos membros natos do Conselho de Orientação aos cinco ex-presidentes mais recentes da diretoria e do Conselho Deliberativo, além de balancetes com prestação de contas trimestral. A diretoria também passaria a responder pelas demandas orçamentárias do Conselho Deliberativo.
Disputa no Conselho Deliberativo
Em abril deste ano, o texto-base foi rejeitado por 93 a 60. Depois, a situação alterou o procedimento para permitir a votação separada dos pontos. Nessa etapa, os principais itens foram aprovados por 79 votos a favor e 57 contra.
Conselheiros da oposição, entre eles Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, recorreram à Justiça. Eles alegaram que a votação dos destaques contrariava o regimento do clube, já que a proposta completa havia sido rejeitada anteriormente, e contestaram a tentativa de realizar uma nova assembleia, marcada para junho.



