O Corinthians fez pagamentos à Bear Security durante oito meses antes de formalizar um contrato com a empresa, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra Osmar Stábile, presidente do clube. A acusação é de apropriação indébita e aponta que os repasses foram realizados com base em um acordo verbal.
Os pagamentos informais começaram em 15 de julho de 2025 e seguiram até fevereiro de 2026, somando R$ 391.987,46. O contrato foi formalizado em março. Considerando os valores pagos antes e depois da assinatura, a Bear Security recebeu R$ 721.194,66 até agosto.
O promotor Cássio Conserino afirma que Stábile teria usado recursos do Corinthians para custear uma empresa de segurança destinada a ele e à família. O presidente foi procurado e não se manifestou sobre o caso. O clube sustenta que a contratação seguiu os procedimentos internos.
Argumentos do Ministério Público
A manutenção dos pagamentos sem contrato é apontada pelo MP como indício de desvio intencional de recursos da instituição para uma despesa que deveria ser pessoal do presidente. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, declarou que a contratação ocorreu sem cotação prévia de preços e sem comunicação ou análise dos conselheiros.
A denúncia também menciona que a Bear Security foi fundada em janeiro de 2025, está registrada em nome da esposa de um dos policiais militares que faziam a segurança de Stábile e tinha o Corinthians como único cliente desde a criação. A empresa não possuía a licença obrigatória da Polícia Federal para atuar no setor de segurança privada.
Para o MP, houve “benefício patrimonial e remuneração indireta” ao dirigente, em possível violação ao estatuto do clube, que proíbe a remuneração de diretores e presidentes.
Medidas pedidas e posição do clube
Conserino pediu o afastamento de Stábile do cargo e medidas cautelares, incluindo a proibição de acesso às dependências do Corinthians, de contato com testemunhas e dirigentes e de deixar o país sem autorização judicial. O promotor também solicitou restrições a viagens dentro do país por mais de 8 dias sem autorização.
Entre os pedidos estão ainda o bloqueio de bens, a reparação por danos morais, o ressarcimento por danos materiais ao Corinthians e o encaminhamento do caso à comissão de ética do clube.
Em nota, o Corinthians afirmou que a contratação ocorreu diante de “riscos à integridade do presidente e de seus familiares”. O clube disse que a contratação urgente foi necessária após a chegada de Stábile à presidência, depois do impeachment de Augusto Melo, e declarou que os valores eram compatíveis com o mercado. Também informou que o contrato passou pelo sistema de compliance e que fornecerá documentos e esclarecimentos às autoridades.



