BACABAL — Clarice Cardoso passou mal depois de ter acesso aos autos da investigação sobre o desaparecimento de seus filhos, Ágatha Isabelly e Allan Michael. A mãe precisou ser levada a uma Unidade de Pronto Atendimento após começar a sentir tontura e vomitar durante a análise do processo.
As crianças desapareceram em 4 de janeiro deste ano, em Bacabal, no Maranhão, junto com o primo Anderson Kauã. Ele foi encontrado três dias depois e está com a família. Até agora, não foi localizado qualquer vestígio físico de Ágatha e Allan.
A advogada de Clarice, Nathaly Moraes, informou que conseguiu consultar os autos 46 dias depois de solicitar o acesso à Polícia Civil. Ela afirmou que a medida permitiu verificar as providências tomadas na investigação e os próximos caminhos do caso.
Segundo a advogada, a leitura ainda não havia sido concluída quando Clarice apresentou mal-estar. “Dra. tô tonta, tô tonta, e vomitou”, relatou Nathaly, ao explicar que decidiu interromper o procedimento e levar a mãe das crianças ao atendimento médico.
Críticas à investigação
Nathaly também contestou declarações atribuídas ao representante da Polícia Civil sobre contatos com a Polícia Federal e a Interpol. De acordo com a advogada, as duas instituições entraram em contato, mas os nomes das crianças não estavam nas divisões amarela e azul, como havia sido informado anteriormente.
A advogada afirmou ainda que o material genético de Clarice só foi compartilhado após uma nova coleta, realizada com a participação dela e da mãe. O procedimento ocorreu na semana passada, segundo o relato apresentado no caso.
Depois de se recuperar e voltar para casa, Clarice criticou as autoridades envolvidas na apuração. Ela questionou por que precisou procurar a Polícia Federal para repetir o exame de DNA e afirmou que não foi consultada antes de uma nota divulgada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros.
Barros havia declarado que o teste já tinha sido realizado e que o material coletado fora encaminhado ao banco nacional. Clarice e Nathaly, porém, sustentam que a Polícia Federal e a Interpol não tinham acesso à amostra anterior e só receberam o material após a nova coleta.
Nathaly também avaliou que houve demora em medidas relacionadas à Polícia Federal. Ela disse que, se as crianças deixaram o Brasil, isso teria ocorrido há oito meses, e questionou quantas diligências deixaram de ser realizadas dentro de um prazo considerado adequado.



