A Polícia Civil identificou pelo menos 17 ataques com drones desde o ano passado, sendo 12 neste ano. O levantamento foi elaborado com base em registros de ocorrências e revela o uso dos equipamentos em conflitos entre organizações criminosas e também contra forças de segurança no Rio.
Os drones são empregados por grupos criminosos para observar a movimentação de policiais e rivais, acompanhar comunidades, transportar armas e lançar explosivos. Em julho, uma equipe do 16º BPM foi atingida por artefatos lançados por drones durante uma operação na comunidade Cinco Bocas, no Complexo de Israel, área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Monitoramento e preparação de ataques
Mensagens obtidas pela polícia mostram que a tecnologia já participa do planejamento de ações territoriais. No início do ano passado, um traficante enviou a Edgar Alves de Andrade, o Doca, imagens feitas por drone de uma comunidade dominada pelo TCP, em Irajá, na Zona Norte. Em outra conversa, Doca recebeu imagens captadas por um equipamento com câmera térmica que mostravam a movimentação em um dos acessos ao Complexo da Penha.
A Polícia Civil também registrou o uso de drones para acompanhar a presença das forças de segurança. Em uma troca de mensagens, Doca respondeu às imagens recebidas: “É isso, vamos matar”.
Para as forças de segurança, os equipamentos servem ao monitoramento de inteligência, à análise de territórios, à identificação de traficantes e milicianos e ao planejamento de incursões em comunidades. Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador na Universidade de Coimbra, afirmou que o uso dos drones representa uma mudança de paradigma e pode avançar.
Adaptações e equipamentos antidrone
Criminosos transformam drones comerciais em armas por meio de adaptações caseiras. Um dispenser usado originalmente para soltar pétalas em casamentos já foi acoplado a um drone e acionado por sensor de luz para liberar explosivos a distância.
Segundo a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas da Polícia Civil, 31 drones foram apreendidos neste ano com pessoas suspeitas de integrar organizações criminosas. Relatório da Armed Conflict Location & Event Data Project aponta que a adaptação de equipamentos baratos é acessível, enquanto sistemas de detecção e bloqueio de sinais têm custo e operação mais complexos.
No início do mês passado, após uma troca de tiros na comunidade do Corte 8, em Duque de Caxias, agentes encontraram com integrantes do Comando Vermelho um aparelho capaz de detectar drones. O grupo se preparava para invadir a região.
O Ministério Público Federal também citou a compra de equipamentos em denúncia contra Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Jóias. Conversas mencionadas no documento tratam da aquisição de identificadores de drones e de uma negociação no valor de R$ 55 mil.
O Governo do Rio iniciou, no ano passado, um processo para comprar equipamentos antidrone, mas a iniciativa foi interrompida após mudanças na regulamentação federal sobre radiofrequências. O Ministério da Justiça informou que está adquirindo sistemas para repassar aos estados que registraram ataques com drones. “O primeiro contrato já foi assinado”, informou o ministério.




