A Polícia Federal investiga se aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) usaram uma escritura de compra e venda para tentar justificar a origem dos R$ 470 mil encontrados em espécie na residência do parlamentar, em dezembro de 2025. Ainda não há elementos suficientes para comprovar a procedência do dinheiro, segundo representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das frentes apura a suposta negociação de um imóvel em Ituiutaba (MG). A versão apresentada à PF indica que o bem teria sido vendido por R$ 500 mil a Thiago Ferreira de Paula, em novembro de 2025. Os investigadores, porém, apontam indícios de que o comprador não tinha capacidade financeira compatível com a aquisição.
A comunicação da transação ao cartório ocorreu em 30 de dezembro de 2025, depois que o dinheiro foi apreendido na casa de Sóstenes. Para a PF, a ordem dos acontecimentos levanta a possibilidade de que a documentação tenha sido produzida ou utilizada posteriormente para dar aparência legal à origem dos valores.
Outra linha busca verificar uma possível conexão entre o dinheiro e um grupo de empresas. Referências ao banco Sicredi foram encontradas junto às cédulas, e a PF identificou saques em espécie superiores a R$ 15 milhões realizados por essas empresas.
Investigação sobre cotas parlamentares
As informações integram a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou, nesta quarta-feira (1°/7), a terceira fase da Operação Rent a Car. O inquérito apura um suposto esquema de desvio de cotas parlamentares envolvendo Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy (PL-RJ), com uso de empresas de fachada, entre elas a Harue Locação de Veículos.
A investigação ganhou novo impulso após a apreensão do dinheiro. Flávio Dino também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de diversos investigados, diante de indícios de movimentações milionárias consideradas atípicas e de “opacidade financeira”. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra empresários e advogados apontados como ligados ao suposto esquema, com o objetivo de reunir novas provas para o inquérito.




