RIO DE JANEIRO — O ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole Marcelo Lopes da Silva foi preso nesta quarta-feira, no Rio, por ordem da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital. A decisão ocorreu após a análise do celular apreendido com ele apontar novos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro.
A prisão foi executada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ, com suporte da Coordenadoria de Segurança e Inteligência. Marcelo é denunciado na Operação Ouroboros, deflagrada em julho pelo Ministério Público estadual.
O ex-procurador já havia sido detido na primeira fase da operação, mas obteve a revogação da prisão preventiva após uma decisão em habeas corpus. Com as novas informações, a denúncia foi ampliada para incluir seis acusações de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu as alterações.
Contrato com empresa investigada
De acordo com o MP, Marcelo orientou a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual para ser contratado pela Engeconsult. A empresa mantinha contratos milionários com o Rio Metrópole, e os ajustes dependiam da análise da Procuradoria chefiada por Marcelo.
O acordo previa R$ 30 mil, divididos em seis parcelas de R$ 5 mil, por supostos serviços administrativos. Para a investigação, o MEI teria servido para ocultar um pagamento indevido ao ex-procurador. As mensagens recuperadas indicam que ele pediu que as negociações não fossem registradas por escrito. O contrato foi assinado no mesmo dia em que a empresa foi criada, mas apresentava data anterior à constituição do negócio. Os depósitos seriam realizados na conta de Thays.
A análise do aparelho também encontrou conversas que, segundo a investigação, indicam interferência na elaboração de pareceres, em documentos do Sistema Eletrônico de Informações e no encaminhamento de casos a órgãos externos de controle. Em uma mensagem, Marcelo escreveu: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”.
Mesmo após deixar a Procuradoria do Rio Metrópole, em 8 de junho, ele teria continuado disponível para o grupo. Sete dias depois, ao ser procurado para elaborar um parecer, respondeu: “Deixa comigo”.
Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também passou a responder por seis novos crimes de lavagem de dinheiro.
A primeira fase da Operação Ouroboros denunciou 11 pessoas por participação em um esquema de desvio de recursos do Instituto Rio Metrópole. Os contratos investigados movimentaram R$ 86,28 milhões. A apuração começou depois da apreensão, em janeiro, de R$ 500 mil em espécie transportados sob escolta armada.
Segundo a investigação, houve 28 transferências da Engeconsult e da R. Peotta Engenharia para o Instituto BIO, somando R$ 3,29 milhões, além de 13 saques que totalizaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.



