O Brasileirão de 2026 tem 159 jogadores estrangeiros inscritos, mas oito atletas com dupla nacionalidade ficam fora dessa conta. A mesma regra será aplicada ao novo limite de jogadores de fora do Brasil relacionados por rodada a partir de 2027.
A cidadania brasileira pode ser obtida por três caminhos principais: nascimento no Brasil, raízes familiares brasileiras ou dupla nacionalidade. O argentino Walter Kannemann, do Grêmio, recebeu a cidadania em março, depois de dois anos de processo. Agustín Rossi, do Flamengo, também iniciou o procedimento. Contratado em 2023, o goleiro deu entrada no pedido em outubro de 2025 e tem contrato até dezembro de 2027.
Requisitos para a naturalização
A regra geral exige pelo menos quatro anos de residência no Brasil. O período cai para um ano no caso de refugiados ou imigrantes que tenham filho, sejam casados ou estejam em união estável com um brasileiro. Também é necessário demonstrar capacidade de comunicação em português e não ter condenação penal, ou comprovar reabilitação.
Entre os jogadores da Série A que podem solicitar a cidadania, considerando o tempo de residência no Brasil, estão Alan Franco, do Atlético-MG; Michel Araújo e Acevedo, do Bahia; Arrascaeta, Agustín Rossi, Guillermo Varela e Erick Pulgar, do Flamengo; e Germán Cano, Agustín Canobbio e Soteldo, do Fluminense.
A lista também inclui Villasanti, do Grêmio; Gabriel Mercado, do Internacional; Gustavo Gómez, Flaco López e Joaquín Piquerez, do Palmeiras; Isidro Pitta e Andrés Hurtado, do Red Bull Bragantino; Arboleda e Calleri, do São Paulo; Miguelito, do Santos; além de Brítez e Emmanuel Martínez, do Vitória.
Abel Ferreira também cumpre os requisitos e já manifestou o desejo de obter a cidadania brasileira. Em 2024, quatro anos depois de chegar ao Brasil, o técnico afirmou: “Se há brasileiros que querem tirar o passaporte português, este é um português que quer tirar o passaporte brasileiro”.
Cidadania não muda automaticamente a seleção
O acordo do Mercosul permite, desde 2002, o trabalho de estrangeiros em países do bloco e associados, desde que sejam cumpridas exigências de residência. Isso, porém, não equivale à cidadania e não produz o mesmo efeito no Brasileirão.
Quem adquire a cidadania brasileira pode ter documento de identidade e passaporte do Brasil, além de direitos civis e políticos. Alguns cargos e funções, como o de Presidente da República, são reservados a pessoas com nacionalidade brasileira originária.
A cidadania também não impede que atletas continuem defendendo suas seleções. Para jogar por uma seleção diferente daquela do país em que têm cidadania, é necessário ter nascido no território, possuir pai, mãe ou avô biológico nascido no país, ou morar continuamente por 5 anos no local depois dos 18 anos.
Em 2021, a Fifa alterou as regras para a troca de seleções. O jogador pode ter até três jogos oficiais pela equipe principal antes dos 21 anos, ficar três anos sem ser convocado e ter registro anterior por outro país. Também é possível atuar por uma seleção na base e por outra no profissional com registro duplo até os 21 anos. Assim, João Costa, atacante de 20 anos do Cruzeiro, pode defender o Brasil após ter jogado por Portugal nas categorias de base.



