Agustín Canobbio condenou os ataques pessoais contra jogadores de futebol e afirmou que críticas, xingamentos e mensagens de ódio ganharam espaço nas redes sociais. O atacante do Fluminense também falou sobre a decisão de permanecer no clube, a experiência com Marcelo Bielsa na seleção uruguaia e a preparação para melhorar dentro e fora de campo.
Canobbio reconheceu que precisa evoluir nas finalizações, mas defendeu a importância de suas tarefas defensivas. Para ele, o desempenho de um ponta não deve ser avaliado apenas por dribles e gols, já que o jogador também precisa recompor, fechar espaços e participar da construção das jogadas.
Nas quartas de final da Libertadores, contra o Platense-ARG, o uruguaio marcou depois de roubar uma bola na defesa e concluir um contra-ataque. Antes disso, havia sido expulso diante do Independiente Rivadavia-ARG, nas oitavas de final. O Fluminense avançou nos pênaltis, e Canobbio afirmou ter ficado chateado com o próprio erro.
Críticas e identificação com o Fluminense
O atacante disse que usa as críticas como combustível para continuar trabalhando, mas pediu cuidado quando os comentários deixam de tratar do desempenho esportivo e passam a atingir a pessoa. Canobbio afirmou que o torcedor pode avaliar o jogador, mas não deve fazer julgamentos pessoais sem conhecer a vida de quem está em campo.
“Falar do jogador, tudo bem. Agora, dizer que sou burro, sem me conhecer, não acho certo”, declarou. Para ele, o ambiente digital costuma dar mais espaço ao conteúdo negativo.
Canobbio também destacou a influência de Paulo Angioni, diretor de futebol que morreu semana passada. Segundo o uruguaio, Angioni foi quem o recebeu no clube, participou de conversas importantes e ajudou a acalmar o ambiente em momentos de tensão. Ele o descreveu como o primeiro a acreditar no grupo quando a situação parecia mais difícil.
A identificação com o Fluminense, de acordo com o atacante, ocorreu naturalmente. Canobbio afirmou que tenta representar o torcedor dentro de campo e valorizou a união do clube. O jogador também citou o desejo de construir uma história ao lado dos ídolos tricolores.
Decisão de continuar no clube
O uruguaio contou que recebeu sondagens de Krasnodar-RUS e River Plate-ARG, mas decidiu permanecer. Ele disse que colocou a carreira e o próprio coração na escolha e não quis deixar passar a fase que considera importante para um jogador.
Canobbio afirmou estar na melhor idade da carreira, entre 27 e 33, 34 anos, e avaliou que tomou a melhor decisão ao seguir no Fluminense. Para ele, ainda existe uma história a ser construída no clube, independentemente de como será lembrada no futuro.
Na seleção uruguaia, o atacante também falou sobre a convivência com Bielsa. Canobbio assumiu responsabilidade por ter transmitido informações sobre conflitos internos e reconheceu que as discussões deveriam ter permanecido dentro do grupo. Depois de uma reunião entre os jogadores, o ambiente ficou mais tranquilo.
Sobre Diego Forlán, novo comandante do Uruguai, o jogador destacou a importância de recuperar o sentimento de pertencimento deixado por Óscar Tabárez. Canobbio contou que já havia trabalhado com Forlán no Peñarol e que o treinador explicou, em uma ligação recente, a ausência do atacante por causa de uma suspensão em dois dos três jogos.
Preparação fora dos gramados
Canobbio afirmou que conta com coach, psicólogo, acompanhamento médico, exames de sangue, suplementação e equipamentos de recuperação. Entre os aparelhos citados estão manta de LED e bota.
O atacante também explicou que começou a desenvolver sua leitura tática com Rosario Martínez, no Fénix-URU. Na formação profissional, aprendeu a recompor, atacar espaços e atuar em diferentes funções. Para Canobbio, o futebol exige mais do que o duelo individual e o drible: é preciso compreender cada momento da partida.



