A seleção brasileira iniciou o novo ciclo sem vitória, mas o histórico do futebol nacional oferece um motivo para relativizar o resultado diante da Austrália. Em ciclos que terminaram com título mundial, o Brasil não venceu a primeira partida disputada após a Copa anterior.
Em 1955, o time empatou por 1 a 1 com o Chile, depois da Copa na Suíça. Zezé Moreira continuava no comando, enquanto Nilton Santos e Didi permaneceriam como titulares até a conquista de 1958. A partida também marcou a estreia de Garrincha.
Tropeços antes de títulos
Após o título na Suécia, o Brasil só voltou a jogar em março de 1959, em um empate por 2 a 2 contra o Peru. Nenhum dos quatro estreantes daquele confronto conquistaria o bicampeonato em 1962, embora oito dos 14 jogadores que seriam campeões de fato ainda estivessem no grupo.
O ciclo do tricampeonato começou depois da campanha de 1966, com um empate sem gols diante do Uruguai. Aymoré Moreira assumiu a equipe, que ainda contava com remanescentes da Copa, como Tostão. Piazza e Everaldo estrearam entre os titulares em 1970. Dirceu Lopes e Edu Coimbra também faziam parte daquele contexto.
Em 1990, a seleção perdeu por 3 a 0 para a Espanha após uma reformulação no grupo. Entre os estreantes estavam Márcio Santos e Cafu, campeões quatro anos depois, em 1994, ao lado de 10 jogadores que haviam participado da campanha na Itália.
No início do ciclo de 2002, Luxemburgo levou sete nomes novos para a equipe. O Brasil empatou por 1 a 1 com a Iugoslávia, resultado repetido na abertura do ciclo comandado por Ancelotti.
A comissão técnica começou a renovar a seleção, mantendo uma base considerada de bom nível. A equipe que enfrentou a Austrália poderia ter contado com Estêvão, mas o atacante estava lesionado. Raphinha, Vini Jr. e Endrick não conseguiram se destacar no empate.
Também há dúvidas sobre o encaixe de Raphinha caso ele não recue para ajudar na armação. A avaliação é que isso pode deixar espaço no meio-campo e aumentar a carga sobre Bruno Guimarães e Danilo. O grupo ainda tem pouca idade média e convive com a pressão por resultados antes da Copa de 2026.



