Bia Haddad Maia ainda não definiu quando voltará às competições. Aos 30 anos, a brasileira se prepara para uma cirurgia no ombro esquerdo, enquanto aproveita o afastamento para cuidar da saúde física e mental e refletir sobre os próximos passos da carreira.
O problema no ombro, segundo Bia, provoca dores há mais de dois anos durante movimentos como voleios e smashes. A previsão é de aproximadamente quatro meses de recuperação, período que deve mantê-la longe das quadras. A tenista, porém, não estabeleceu uma data para o retorno ao circuito profissional.
Durante parte da pausa, entre setembro e dezembro de 2026, Bia fará o curso de Sports Management em Harvard. A experiência acadêmica integra uma fase de mudanças e busca por uma maneira diferente de manter sua ligação com o tênis.
“Foi uma soma de fatores”, afirmou a brasileira ao explicar o momento vivido. Ela contou que ainda tenta dimensionar dificuldades acumuladas durante a trajetória e que muitas delas não foram compreendidas por quem acompanhava sua carreira de fora.
Uma relação diferente com o esporte
Bia não fala em abandonar o tênis. A jogadora lembra que já venceu Elena Rybakina duas vezes e também superou Iga Swiatek e Madison Keys. Mesmo assim, diz ser difícil conviver com a sensação de ter capacidade para competir em alto nível e não conseguir fazê-lo naquele momento.
A brasileira também recordou obstáculos anteriores, como a cirurgia na coluna aos 16 anos, a suspensão por doping e um episódio em que um vidro explodiu. Agora, ela compara a saúde mental a uma lesão física que interfere no desempenho, mas não pode ser vista.
“O circuito é insano, o ranking é insalubre.” A avaliação resume a crítica de Bia à pressão permanente por resultados e pela defesa de posições no ranking.
A pausa também alterou sua percepção sobre as relações construídas ao longo da carreira. Longe dos torneios, ela passou a valorizar ainda mais as pessoas que permanecem ao seu lado. Bia afirmou que faz terapia com psicoterapeuta e mantém acompanhamento mental há anos, além de usar o período para desacelerar e recuperar uma conexão consigo mesma.
A tenista preferiu preservar outros episódios pessoais. Entre a cirurgia, a recuperação, os estudos e o cuidado psicológico, ela segue sem resposta para a pergunta sobre quando voltará, concentrada em descobrir como quer continuar vivendo o tênis.



